Sírios são quase a maior população mundial de refugiados

Os sírios que fogem do conflito civil que assola aquele país desde março de 2011 são quase a maior população de refugiados do mundo, estando muito próximos dos afegãos, alertaram hoje as Nações Unidas.

Numa intervenção via vídeo, o Alto-comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, expôs os números da crise humanitária na Síria após três anos de guerra, afirmando que quase 2,5 milhões de sírios foram registados como refugiados pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) em países vizinhos do Médio Oriente.

"Há cinco anos, a Síria era o segundo país de acolhimento de refugiados no mundo. Os sírios estão agora quase a substituir os afegãos como a maior população de refugiados em todo o mundo", afirmou Guterres.

"É desolador ver esta nação que durante décadas acolheu refugiados de outros países dividida ao meio e forçada a exiliar-se", sublinhou.

Na mesma intervenção, o Alto-comissário exigiu "um forte apoio internacional" aos países vizinhos da Síria para compensar "o enorme custo" que implica receber diariamente centenas, e talvez milhares, de sírios.

Por exemplo, segundo o responsável, o peso que esta vaga de refugiados tem sobre a população do Líbano é equivalente ao que aconteceria, em termos proporcionais, se a França recebesse cerca de 15 milhões de refugiados, a Rússia cerca de 32 milhões de refugiados ou os Estados Unidos cerca de 71 milhões de refugiados.

António Guterres acrescentou que o Banco Mundial prevê que o desemprego no Líbano poderá duplicar até ao final do ano e que a crise na Síria poderá custar ao país 7,5 mil milhões de dólares (cerca de 5,4 mil milhões de euros).

Durante as últimas três décadas, mais de cinco milhões de afegãos fugiram da guerra, da opressão e da pobreza, elegendo como principais destinos o Irão e o Paquistão.

Atualmente, ainda existem no mundo 2,55 milhões de refugiados afegãos, segundo os dados do ACNUR.

O conflito na Síria já fez, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), 136 mil mortos.

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