Sérvia recorda início dos bombardeamentos da NATO

A Sérvia assinalou hoje com diversas cerimónias os 15 anos do início dos bombardeamentos da NATO no seu território, justificados pela repressão sobre os independentistas armados e a população civil albanesa do Kosovo.

"Um povo que esquece as suas vítimas e a sua história está condenado a reviver essa história. A Sérvia hoje conduz uma política pacífica para resolver os seus problemas", declarou o primeiro-ministro sérvio, Ivica Dacic.

Dacic depositou uma coroa de flores em homenagem aos defensores da Sérvia frente ao monte Strazevica, perto de Belgrado, onde se encontra um centro subterrâneo de comando do exército e que foi alvo por diversas ocasiões da aviação da NATO.

O primeiro-ministro definiu como "inocentes" todas as vítimas sérvias do conflito, militares polícias ou civis, e recordou que a intervenção aliada não recebeu autorização do Conselho de Segurança da ONU.

No jardim de um dos edifícios da Radiotelevisão sérvia (RTS) em Belgrado, foi inaugurado um parque em memória das 16 pessoas mortas quando o complexo foi bombardeado.

Foi ainda celebrada uma missa na igreja de São Marco, em Belgrado, em memória de todas as vítimas dos ataques da NATO, enquanto em todas as escolas do país decorreu uma aula de história dedicada ao aniversário do início da "agressão" contra a Sérvia.

O Presidente Tomislav Nikolic, à semelhança de outros dirigentes do país, também depositaram coroas de flores em diversos locais bombardeados durante esta campanha de ataques aéreos que se prolongou por 78 dias.

A NATO desencadeou a operação em 24 de março de 1999, após o fracasso das negociações de Rambouillet destinadas a terminar com o conflito no Kosovo entre os separatistas armados albaneses do Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) e as forças sérvias, também acusadas de perseguições às populações civis.

A intervenção terminou em junho com a retirada das forças sérvias, na sequência do acordo "técnico-militar" de Kumanovo, assinado em 12 de junho de 1999 com Belgrado e que implicou o envio de uma força da NATO para o terreno (Kfor) e o início da administração do Kosovo pela ONU.

Segundo os dados oficiais, cerca de 2.500 civis sérvios foram mortos e 12.500 feridos durante as 11 semanas de bombardeamento. A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch refere-se por sua vez a 500 civis mortos.

Em 2006 a Sérvia aderiu à Parceria para a paz, um programa de cooperação militar proposto pela NATO aos países da Europa de leste, mas precisou que não tenciona aderir ao bloco.

Em Pristina, o primeiro-ministro kosovar Hashim Thaçi, definiu a data do início dos bombardeamentos como "um grande dia para a república do Kosovo".

"Este dia que assinala o início dos ataques da NATO contra a Sérvia (...) é o dia do início de uma grande vitória para a república do Kosovo, um dia histórico para o nosso povo", declarou Thaçi.

Hoje, a Sérvia e o Kosovo anunciam como objetivo a integração na União Europeia e após terem concluído em abril de 2013, sob mediação de Bruxelas, um acordo sobre a normalização das relações.

Apesar de a Sérvia continuar a rejeitar com veemência o reconhecimento da independência da sua antiga província do sul, proclamada unilateralmente em 2008, o desejo em melhorar as relações com este território de maioria albanesa mas onde se mantêm diversos enclaves sérvios, permitiu a abertura em janeiro das negociações de adesão à UE.

Em paralelo, o Kosovo iniciou as negociações para a conclusão de um acordo de associação e estabilização, primeira etapa na aproximação à UE.

Até ao momento a independência do Kosovo foi reconhecida por 23 dos 28 Estados-membros da UE, num total de 96 países em todo o mundo.

Portugal optou por reconhecer a independência da antiga província sérvia em 7 de outubro de 2008.

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