Revolta faz hoje dois anos com guerra sem fim à vista

A revolta contra o regime do Presidente sírio bashar Al-Assad faz hoje dois anos, mas depois de mais de 70 mil mortos, um milhão de refugiados e um país em ruínas, a guerra civil ainda não tem saída à vista.

A revolta pacífica iniciada a 15 de março de 2011 por milhares de sírios que reclamavam liberdade, começou por ser violentamente reprimida e acabou por transformar-se num conflito entre as forças armadas que apoiam o regime e grupos rebeldes heterogéneos, no seio dos quais os 'jihadistas' (radicais islâmicos) têm assumido um papel destacado.

Nas revoluções das primaveras árabes, os presidentes tunisino Ben Ali e egípcio Hosni Mubarak caíram após semanas de manifestações populares, o ditador líbio Muammar Kadhafi foi morto após oito meses de conflito e o iemenita Ali Abdullah Salleh cedeu ao fim de um ano de pressões, mas Assad continua agarrado ao poder.

A Rússia, o principal apoio internacional do regime de Damasco, ao qual fornece armas, disse recentemente que Assad não sairá, enquanto o Irão, um aliado regional, afirmou que o atual presidente poderá mesmo ter uma palavra a dizer nas presidenciais de 2014.

A Rússia e a China bloquearam por três vezes resoluções no Conselho de Segurança da ONU contra o regime, impedindo a comunidade internacional de agir.

No fim de fevereiro, Washington anunciou pela primeira vez uma ajuda direta aos rebeldes, sem envolver armas, como estes reclamam.

Paris e Londres defenderam na quinta-feira um levantamento rápido do embargo de armas imposto pela União Europeia à Síria e manifestaram a intenção de fornecer armas aos rebeldes.

Mas, tanto os norte-americanos como os europeus receiam que as armas acabem por cair nas mãos de extremistas, receio que se estende às armas químicas na posse do regime.

Os avanços no terreno de um grupo radical, a Frente Al-Nosra, autor de vários atentados bombistas, têm aumentado essa apreensão.

Nenhum dos protagonistas parece neste momento em condições de conseguir uma vitória decisiva.

Os rebeldes controlam várias regiões do norte e leste do país. O regime, que se apoia sobretudo na força aérea, defende Damasco, o seu principal bastião, e províncias do oeste e centro da Síria.

Para a ONU, a Síria entra na "espiral de catástrofe absoluta", com uma população que não tem serviços básicos em muitas regiões e o colapso dos serviços de saúde.

O mundo tem assistido aos horrores da guerra através de vídeos amadores que mostram cabeças decapitadas, corpos torturados, execuções sumárias.

No plano diplomático, as propostas de paz apresentadas pelo ex-emissário da ONU Kofi Annan e pelo seu sucessor, Lakhdar Brahimi, têm fracassado.

Recentemente, o chefe da oposição no exílio, Ahmed Moaz al-Khatib, propôs um diálogo com o regime, sob condições, o que suscitou críticas entre os opositores.

Damasco afirma-se disposto a dialogar, mas não muda a sua retórica e repete que está a travar uma guerra contra "terroristas" e enfrenta "um complot internacional".

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