Portas lamenta falta de posição comum sobre a Síria

O ministro dos Negócios Estrangeiros lamentou hoje a ausência de uma posição comum da União Europeia sobre a Síria, considerando que a "renacionalização" da decisão da entrega de armas é "politicamente desajeitada" e "diminui a credibilidade da política externa europeia".

Paulo Portas, que na segunda-feira à tarde, ainda durante as negociações, havia dado conta da "posição restritiva" de Portugal sobre a eventual introdução de mais armas no conflito, considerou hoje, numa declaração à Lusa à partida de Bruxelas, que "é politicamente desajeitado que os europeus, quando está em preparação uma conferência de paz para a Síria, em vez de se empenharem em ter um papel central nessa conferência, optem por relaxar um embargo de armamento".

"No fundo, a Europa acaba por dar um sinal de fornecimento de armas que os Estados Unidos têm evitado dar", ainda para mais através de uma "renacionalização" das decisões, disse, reiterando que "Portugal, como a maioria dos Estados, defendeu uma posição bem mais restritiva e condicional nesta questão".

Segundo o chefe de diplomacia, também "é bastante preocupante que a UE não tenha chegado a um consenso sobre a questão do embargo de armas em relação a Siria", ao fim de 12 horas de reunião, tratando-se esta da "questão internacional mais importante do momento".

"Isto diminui a credibilidade da política externa europeia face aos parceiros internacionais", opinou, ao observar que "o Conselho de Negócios Estrangeiros de ontem (segunda-feira) não foi capaz de chegar a uma decisão jurídica firme e cautelosa sobre uma questão tão sensível como a possível entrega de armas à oposição síria".

"O resultado é uma mera declaração política que, na prática desiste de uma posição europeia sobre o tema, renacionaliza as decisões sobre a entrega de armas e não estabelece as condições suficientes para que possamos ter a certeza de que essas armas não chegarão às mãos erradas. Oxalá a UE não se venha a arrepender de permitir o acesso a armas letais por parte de alguns grupos fundamentalistas que também existem na oposição síria", concluiu.

No texto das conclusões da reunião, que se prolongou por 12 horas, os chefes de diplomacia da UE sublinham o compromisso dos 27 de apenas fornecer "equipamento militar" para os rebeldes protegerem a população civil e mediante salvaguardas, nomeadamente informação sobre o destino final do material.

Os ministros comprometeram-se, todavia, a "não prosseguir, nesta fase", com a entrega do referido material.

A posição será revista antes de 01 de agosto, com base num relatório da Alta representante da UE para a Política Externa, Catherine Ashton, após consultas com o secretário-geral da ONU sobre os desenvolvimentos da iniciativa EUA-Rússia para uma conferência de paz e o empenho das partes sírias.

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