ONU calcula que haja 1,2 milhões de deslocados no Iraque

As Nações Unidas calculam que cerca de 1,2 milhões de iraquianos tenham sido obrigados a deixar as suas casas por causa do conflito no país, de acordo com a secretária-geral adjunta para os Assuntos Humanitários.

A organização mostra-se "extremamente preocupada pelo destino dos desalojados", dado que a situação no Iraque continua a degradar-se, e alertou ainda para o perigo de surgirem surtos de doenças infecciosas.

"As famílias necessitam urgentemente de água, comida, alojamento, cuidados de saúde, saneamento e proteção contra a violência", afirmam as Nações Unidas, sublinhando que "as crianças estão especialmente vulneráveis ao aparecimento de doenças e má nutrição".

No comunicado, a secretária-geral adjunta para os Assuntos Humanitários, Valerie Amos, agradeceu a contribuição saudita de 500 milhões de dólares para fazer frente às necessidades humanitárias dos iraquianos, e mostrou-se convicta de que haverá outras doações semelhantes, apesar das dificuldades das Nações Unidas para obter os fundos necessários, segundo a agência espanhola Efe.

A situação no Iraque pode piorar depois do apelo feito na terça-feira pelo líder do grupo 'jihadista' Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que pediu a todos os muçulmanos para viajarem para o Iraque e para a Síria e ajudarem na construção do "califado" islâmico, proclamado recentemente.

Numa mensagem de áudio, Abu Bakr al-Baghdadi apelou aos muçulmanos para imigrarem para aquele território, afirmando que tal decisão era um dever.

Bakr al-Baghdadi fez um "especial apelo" para juízes, médicos, engenheiros e pessoas com experiência militar e administrativa.

No domingo, os 'jihadistas' em combate na Síria e no Iraque anunciaram o estabelecimento de um califado, referindo-se ao sistema de governo islâmico que desapareceu há quase 100 anos com a queda do Império Otomano.

Na mesma ocasião, um porta-voz do grupo proclamou o líder Bakr al-Baghdadi como califa e "líder dos muçulmanos em toda a parte".

Na mensagem de terça-feira, divulgada por ocasião do mês sagrado do Ramadão em fóruns 'jihadistas', Bakr al-Baghdadi afirmou que o território "pertence a todos os muçulmanos".

O líder também prometeu vingar as alegadas violações cometidas contra os muçulmanos em todo o mundo e criticou "o duplo critério" como é utilizado o termo "terrorismo".

O EIIL surgiu na Síria há cerca de um ano e, inicialmente, foi bem recebido pela oposição armada, que viu os 'jihadistas' como uma ajuda para derrubar o regime.

Poucos meses depois, e em face de uma série de atrocidades cometidas pelos 'jihadistas' contra populações civis e rebeldes de outros grupos, a oposição síria, incluindo a oposição islamita, passou a combater o EIIL.

No início de junho, o EIIL lançou uma ofensiva em cinco províncias do norte e oeste do Iraque.

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