Muros em lojas para separar homens e mulheres sauditas

As lojas sauditas que empregam homens e mulheres vão ter que erguer muros de pelo menos 1,60 metros para impedir que os dois sexos se misturem, segundo uma decisão do chefe da polícia religiosa e do ministro do Trabalho.

Esta medida vem juntar-se a outra tomada em junho de 2011, quando as autoridades do reino, onde a segregação dos sexos é imposta, tinham ordenado às lojas de roupa interior feminina de substituir os seus vendedores, geralmente asiáticos, por mulheres sauditas. Uma decisão que se alargou depois às perfumarias.

Em dezembro, o chefe da polícia religiosa, Abdel Latif Al-Cheikh, tinha criticado violentamente o ministro do Trabalho, Adel Faqih, dizendo que as novas vendedoras não beneficiavam de uma "atmosfera adequada para trabalhar" e afirmando que algumas eram "objeto de perseguição".

A decisão das autoridades de empregar mulheres seguiu-se a uma campanha na Internet em que estas exprimiam o seu desconforto em relação à presença de vendedores do sexo masculino nas lojas de roupa interior, apesar de os gabinetes de prova para mulheres serem proibidos no reino.

A decisão entreou em vigor apesar da oposição do mufti (líder religioso) da Arábia Saudita, xeque Abel Azizi Al-Cheikh, que defendeu que isso iria colocar as vendedoras "em contato direto" com os homens que gerem as lojas.

O ministro do Trabalho indicou que esta decisão iria criar 44 mil empregos para as mulheres sauditas, numa altura em que a taxa de desemprego feminino ultrapassava os 30%.

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