Justiça egípcia proíbe principal movimento da revolta contra Mubarak

Um tribunal egípcio proibiu hoje o principal movimento da revolta contra o ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, e que atualmente se manifesta contra o governo dirigido pelo exército.

O Movimento 06 de abril foi um dos principais grupos de jovens a liderar a revolta contra Hosni Mubarak, que levou à queda do regime em 2011.

A decisão do tribunal surgiu depois de uma queixa de um advogado, que acusa o movimento "de difamar" o país e "de concluio" com movimentos estrangeiros, disse à agência noticiosa francesa AFP um responsável da justiça.

O julgamento decorreu num altura de repressão, que visa principalmente os apoiantes do presidente islamita Mohamed Morsi, destituído a 03 de julho último pelo exército, mas também qualquer movimento de contestação do novo poder.

O nome deste movimento vem de uma grande greve de trabalhadores, em Mahalla (norte), a 06 de abril de 2008, o primeiro verdadeiro movimento de contestação do regime de Mubarak, que ocupou o poder no Egito durante 30 anos.

O grupo, encabeçado por jovens, liderou a revolta popular que, em 18 dias, expulsou Mubarak do poder, no início de 2011, seguindo a linha das chamadas "primaveras árabes".

Desde que o chefe das forças armadas egípcias Abdel Fattah al-Sissi destituiu e deteve, a 03 de julho, Morsi, primeiro presidente eleito democraticamento no Egito, a repressão das autoridades abateve-se sobre os seus apoiantes: mais de 1.400 manifestantes pró-Morsi foram mortos pelas forças da ordem e mais de 15 mil foram detidos.

Em novembro e depois de aprovada uma lei que tornava quase impossível qualquer manifestaçãqo no país, movimentos de esquerda e laicos, incluindo o 06 de abril, iniciaram protestos contra o governo interino criado e dirigido de facto por Sissi.

O chefe das forças armadas egípcias é o grande favorito para vencer as eleições presidenciais, marcadas para final do próximo mês, e que vai disputar com um outro candidato, oriundo da esquerda.

O líder do Movimento 06 de abril, Ahmed Maher, foi condenado a três anos de prisão, em dezembro, por violação da nova lei que proíbe as manifestações realizadas sem autorização do ministério do Interior egípcio.

EJ // APN

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