Israel considera "absurdas" acusações de Erdogan

O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, considerou na terça-feira "absurdas" as acusações do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, segundo as quais Israel terá orquestrado a destituição do Presidente egípcio Mohamed Morsi.

"Estas declarações do primeiro-ministro turco são absurdas", disse à agência France Presse um responsável do gabinete do chefe do Governo israelita, sem mais comentários.

As "acusações do dirigente turco não merecem reações", disse por seu turno um outro responsável israelita, a coberto de anonimato.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou na terça-feira Israel de ter orquestrado os militares egípcios que afastaram do poder o Presidente Mohamed Morsi, em julho.

"O que é que se costuma dizer sobre o Egito? 'A democracia não está nas urnas de voto'. Quem está atrás de tudo isto? Está Israel", disse Erdogan num encontro do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) em Ancara.

"Temos provas", disse Erdogan, citando alegadas declarações do ministro da Justiça de Israel em 2011, que, segundo o primeiro-ministro turco, terá dito em França que a Irmandade Muçulmana de Morsi não podia chegar ao poder no Egito, mesmo que através de eleições.

Entretanto, a posição assumida por Erdogan conduziu a uma tomada de posição pelos Estados Unidos.

Na terça-feira, a Casa Branca a condenou as declarações do primeiro-ministro turco, para quem Israel terá orquestrado a destituição de Mohamed Morsi.

Tais afirmações são "agressivas, sem fundamento e falsas", afirmou um porta-voz da Presidência norte-americana, Josh Earnest.

Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, foi o primeiro líder eleito democraticamente na história do Egito, nas eleições de 2012, mas foi deposto pelos militares no passado dia 03 de julho.

O AKP, o partido de Erdogan, de inspiração islâmica, desenvolveu relações políticas com o Egito nos últimos meses, antes de o chefe de Estado ter sido deposto através de um "golpe militar", segundo o primeiro-ministro turco.

Entretanto, as autoridades israelitas declinaram qualquer resposta à acusação de Erdogan sobre o alegado envolvimento de Telavive no "golpe de Estado" no Cairo.

"Não vale a pena responder a esse comentário, que não merece resposta", disse à EFE um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel.

Na quarta-feira, as novas autoridades egípcias iniciaram amplas operações de repressão contra os apoiantes de Morsi, que já provocaram centenas de mortos.

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