Islamitas protestam no Egito contra julgamento de Morsi

Milhares de islamitas manifestaram-se hoje em várias cidades do Egito em protesto contra o julgamento do presidente deposto Mohamed Morsi, que começa na segunda-feira.

A coligação pró-Morsi, que convocou os protestos, anunciou a realização de uma manifestação na segunda-feira junto à academia de polícia, na parte sul da capital, onde vai decorrer o julgamento.

Hoje, na cidade de Alexandria (norte), confrontos opuseram manifestantes e polícia, que usou gás lacrimogéneo. Segundo um responsável das forças de segurança, citado pela agência France Presse, 60 manifestantes foram detidos.

No Cairo, segundo a mesma agência, várias centenas de manifestantes protestaram frente ao palácio presidencial, enquadrados por um forte dispositivo de segurança.

O Ministério do Interior anunciou que 20.000 polícias foram destacados para segunda-feira para garantir a segurança junto da academia e no percurso de Morsi entre o local onde está detido e sala de audiências improvisada.

Uma fonte da segurança citada pela France Presse indicou, no entanto, que o presidente deposto será transportado de helicóptero para a academia de polícia, adjacente à prisão de Tora.

Mohamed Morsi, detido em local não divulgado, é acusado de ter incitado à morte de manifestantes num protesto em frente do palácio presidencial, a 05 de dezembro de 2012, em que morreram sete pessoas.

O presidente deposto vai ser julgado juntamente com 14 coacusados.

Num comunicado divulgado na segunda-feira, a coligação que o apoia afirmou que Morsi "não reconhece o julgamento ou qualquer ação ou processo resultante do golpe" e que não terá qualquer advogado de defesa, egípcio ou estrangeiro.

Os últimos meses foram marcados por uma forte repressão dos islamitas egípcios. Mais de 1.000 pessoas foram mortas em confrontos, a maioria apoiantes de Morsi, e cerca de 2.000 islamitas foram detidos, quase todos membros da Irmandade Muçulmana, da qual Morsi foi dirigente e que venceu as legislativas de 2012.

Mohamed Morsi, primeiro presidente do Egito eleito democraticamente, foi destituído e detido pelo exército a 03 de julho, depois de manifestações de milhões de egípcios exigindo a sua demissão.

Os militares nomearam um governo interino encarregado de reescrever a Constituição e de organizar eleições legislativas e presidenciais para o início de 2014.

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