Irão perde quatro cientistas nucleares em dois anos

Com a morte hoje de um dos responsáveis da central de Natanz, o Irão viu desaparecer quatro cientistas em cinco ataques desde janeiro de 2010. Teerão responsabiliza Israel.

O responsável por um dos departamentos da central nuclear de Natanz, Mostafa Ahmadi Roshan, morreu esta manhã na explosão de uma bomba magnética colocada sob o veículo em seguia. O atentado sucedeu junto à Universidade Allameh Tabatabai, nos arredores de Teerão.

O método utilizado é comum a quase todas as operações que visaram cientistas nucleares iranianos desde 2010. "Esta manhã, um motociclista colocou uma bomba num Peugeot 405, que explodiu em seguida", indicaram as autoridades locais, citadas pela agência Irna. Outros dois passageiros do veículo, incluindo o guarda-costas de Roshan, ficaram feridos.

O vice-governador da província de Teerão, Safar Ali Baratloo, acusou os israelitas de imediato. "Israel é responsável por este atentado, o método é semelhante ao usado noutros atentados contra cientistas nucleares iranianos", afirmou à televisão iraniana Al-Alam.

Mais tarde, o vice-presidente Mohammad Reza Rahimi responsabilizou os "agentes da opressão" [os Estados Unidos] e do regime sionista que querem impedir os nossos cientistas" de servirem o Irão.

Os media iranianos revelaram que Ahmadi Roshan, de 32 anos, trabalhava num projeto relacionado com o enriquecimento de urânio. Ainda segundo estes, o cientista reunira-se recentemente com elementos da Agência Internacional de Energia Atómica, responsabilizando por isso esta entidade da ONU de ter transmitido o seu nome a "agentes" israelitas.

A 12 de janeiro de 2010, um conhecido físico nuclear iraniano, Massud Ali Mohammadi, ligado aos Guardas da Revolução, a elite político-militar do regime, é morto pela explosão de um motociclo armadilhado quando saía da sua residência em Teerão.

Em novembro do mesmo ano, um dos principais responsáveis da Organização Iraniana de Energia Atómica (OIEA), Majid Shahriari, é morto num atentado com recurso a uma bomba magnetizada.

Um outro cientista iraniano é visado no mesmo dia, num segundo ataque com recurso ao método do primeiro, mas fica apenas ferido. Também este cientista integra os quadros da OIEA.

A 23 de julho, um cientista ligado ao Ministério da Defesa é abatido a tiro por dois indivíduos que seguiam num motociclo. Uma semana depois, a edição online da revista alemã Der Spiegel indicava que o atentado fora "orientado" a partir de Israel, citando fonte do serviço de informações deste país.

O regime iraniano responsabiliza, em regra, Israel e os Estados Unidos por estas ações, e garante que nada impedirá o desenvolvimento do seu programa nuclear.

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