Tribunal ordena libertação de Mubarak

Um tribunal egípcio aceitou o pedido de liberdade condicional para o ex-presidente Hosni Mubarak apresentado pelos seus advogados. O antigo dirigente poderá sair da prisão até final da semana.

A decisão agora emitida pela justiça egípcia respeita a um caso de enriquecimento ilícito. Nos restantes três casos em que Hosni Mubarak surge como acusado, o ex-presidente já obtivera idêntica decisão favorável dos tribunais, com o argumento de que as leis egípcias não permitem a prisão preventiva além de um limite de dois anos.

Segundo fontes judiciais, citadas pelas agências, Mubarak poderia deixar a prisão amanhã. Um dos seus advogados, Fareed El-Deeb, declarou à Reuters que, "sem dúvida, ele sairá da prisão antes do final da semana".

Mubarak, de 85 anos, encontra-se detido numa prisão da capital egípcia, Cairo.

O ministério público pode recorrer da sentença. A AFP refere também que, após cada decisão favorável ao ex-presidente, os procuradores têm apresentado novas acusações que forçam a que Mubarak permaneça sob prisão.

Mubarak foi derrubado no início de 2011 por uma gigantesca movimentação popular, após mais de 30 anos no poder.

Além de casos de corrupção e enriquecimento ilícito, Mubarak está a ser julgado pela morte de centenas de manifestantes no período imediatamente anterior à sua queda do poder. Num primeiro julgamento sobre esta matéria, o ex-presidente fora condenado a prisão perpétua, mas o Supremo egípcio anulou esse veredicto. A próxima sessão do segundo julgamento realiza-se domingo.

Neste caso, além de Mubarak, estão a ser julgados os seus dois filhos, o antigo ministro do Interior e seis altos responsáveis das forças de segurança.

Para Ziad Abedel Tawab, diretor-adjunto do Instituto para o Estudo dos Direitos Humanos, no Cairo, "a libertação de Mubarak é absolutamente natural no ambiente em que, infelizmente, estamos agora a viver". Referência à atuação dos militares que afastaram o presidente eleito Mohammed Morsi, um islamita, que se encontra agora sob prisão assim como muitos outros dirigentes e militantes da organização a que pertence, a Irmandade Muçulmana.