Peritos da ONU analisam uso de armas químicas na Síria

Dois peritos da ONU, encarregados de analisar a alegada utilização de armas químicas no conflito na Síria, chegaram hoje a Damasco, onde regime e rebeldes se acusam mutuamente de terem recorrido a este tipo de armas.

Chegados a um hotel da capital síria, Ake Sellstrom e Angela Kane vão debater com o regime de Bashar al-Assad as condições de acesso às zonas que precisam de visitar, no âmbito do inquérito sobre a utilização de gás sarin.

Kane é a alta representante da ONU para o desarmamento e Sellstrom é o chefe da missão das Nações Unidas encarregado de investigar as acusações sobre o uso de armas químicas na Síria.

"Em resposta a um convite do Governo sírio, Kane e Sellstrom chegaram à Síria para uma visita oficial de dois dias, durante a qual se vão reunir com responsáveis sírios", disse à agência noticiosa francesa AFP Khaled al-Masri, responsável pela comunicação e conselheiro da ONU em Damasco.

A 11 de julho, a ONU tinha anunciado que Sellstrom e Kane "tinham aceitado o convite do Governo sírio para se deslocarem a Damasco e concluir as consultas sobre as modalidades de cooperação exigidas" para a eventual realização de uma missão no país.

O regime sírio insistiu que os investigadores da ONU se concentrassem num incidente atribuído por Damasco à oposição, ocorrido em março, em Khan al-Assal, perto de Alepo (norte). Esta cidade foi tomada na segunda-feira pelas forças rebeldes.

De acordo com as Nações Unidas, Damasco recusou que os investigadores averiguassem as acusações feitas ao exército sírio por Londres e Paris, relativamente a incidentes semelhantes em Homs (centro), em dezembro do ano passado.

Esta divergência impediu, até ao momento, a missão de inquérito da ONU de se deslocar ao local para recolher testemunhos e amostras para análise.

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