Médicos Sem Fronteiras denunciam "êxodo em massa" de Al Safira

Em menos de 20 dias, 130.000 pessoas saíram da cidade de Al Safira, no norte da Síria, fugindo de bombardeamentos permanentes num "êxodo em massa", informaram hoje os Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Segundo a organização não-governamental, que tem membros no terreno na Síria, quase toda a população de Al Safira fugiu, bem como residentes de localidades próximas, no sudeste da província de Alepo (norte).

"Perante a magnitude das necessidades destes deslocados, a ajuda humanitária é insuficiente", afirmou a organização num comunicado.

Marie-Noelle Rodrigue, diretora de operações da MSF, explicou que "ataques extremamente violentos" em Al Safira iniciados a 08 de outubro obrigaram pessoas que já tinham fugido da violência noutros locais a fugir de novo.

Segundo esta responsável, esses ataques fizeram 76 mortos e 450 feridos só em cinco dias.

"Estas pessoas chegam a zonas onde já está um grande número de pessoas deslocadas, onde os raros atores humanitários presentes enfrentam necessidades gigantescas", disse.

Segundo a MSF, os novos deslocados que chegaram à localidade de Manbij, a nordeste de Al Safira, foram instalados em quintas, num parque de estacionamento onde existe apenas uma latrina e em edifícios em construção que não têm portas nem janelas.

A organização condenou também o bombardeamento deliberado de estabelecimentos médicos, como um hospital de campanha destruído por uma bomba lançada de um helicóptero a 21 de outubro.

"As Nações Unidas e os países que têm influência neste conflito têm de mostrar a mesma determinação na resolução da questão da ajuda humanitária que a que mostraram na questão das armas químicas", afirma, no comunicado, o presidente dos MSF Mego Terzian.

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