Islamitas apelam à desobediência civil no Egito

[COM VÍDEO] Os islamitas egípcios apelaram hoje à desobediência civil contra os "golpistas" que afastaram do poder, em julho, o presidente Mohamed Morsi e garantiram que vão continuar as iniciativas pacíficas de apoio ao chefe de Estado deposto. Este apelo surge depois de o guia supremo da Irmandade Muçulmana ter sido preso durante a noite de hoje no Cairo.

Mohamed Badie, guia Supremo da Irmandade Muçulmana, movimento que apoia o Presidente deposto Mohamed Morsi, foi capturado num apartamento próximo da praça Rabaa al-Adawiya, onde dezenas de manifestantes islamitas foram massacrados na passada quarta-feira pela polícia e exército.

Vídeo de Mohamed Badi a discursar em defesa de Morsi:

A chamada Aliança para a Defesa da Legitimidade, que inclui a Irmandade Muçulmana e outros grupos, explicou em conferência de imprensa que a campanha de desobediência civil inclui o boicote a meios de comunicação que defendem o golpe militar.

A coligação apelou ao boicote a empresas e produtos de países que financiam o golpe militar, entre outras medidas aplicadas progressivamente. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait são alguns dos países que concederam ajuda financeira ao país (pelo menos 12 mil milhões de dólares) depois de Morsi ter sido deposto.

Um porta-voz da aliança leu um comunicado no qual se afirmava que "o ambiente de conflito sectário" que se vive no Egito "permite às forças de segurança" continuarem a atuar.

Nesse sentido, os islamitas acusaram a polícia de estar por detrás do incidente que há dois dias levou à morte de 36 islamitas que estavam a ser transferidos para outra prisão e da morte, na segunda-feira, de 24 polícias no Sinai, numa operação alegadamente destinada a culpar os apoiantes de Morsi pelo sucedido.

Os islamitas condenaram os últimos ataques contra instalações da polícia, igrejas e edifícios públicos ocorridos desde quarta-feira, quando as forças de segurança lançaram uma operação para dispersar apoiantes de Morsi acampados no Cairo, provocando a morte de cerca de 800 pessoas.

A Aliança para a Defesa da Legitimidade defendeu a continuação de marchas "pacíficas" para pedir o regresso de Morsi e instou as organizações de defesa dos direitos humanos a denunciar os crimes na justiça.

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