Ban Ki-moon alarmado com violência no Egito

O secretário-geral das Nações Unidas disse hoje estar "alarmado" com a violência no Egito, condenou o uso excessivo da força por parte das autoridades e pediu a todos os setores a "máxima contenção". Ban Ki-moon falava também após a morte de 25 polícias no Sinai, num atentado contra as forças de segurança egípcias.

"Estou alarmado com a eclosão destes protestos violentos e com o uso excessivo da força. Condeno com firmeza os ataques contra igrejas, hospitais e outros edifícios públicos", disse Ban Ki-moon, numa conferência de imprensa, na sede das Nações Unidas.

Ban Ki-moon aproveitou também para pedir a libertação do Presidente egípcio deposto Mohamed Morsi e que se amplie o espaço político à Irmandade Muçulmana, ao mesmo tempo que ofereceu apoio para resolver a crise com a visita que começa terça-feira ao Cairo do chefe dos assuntos políticos da ONU, Jeffrey Feltman.

As autoridades não forneceram até ao momento o número final de vítimas mortais desde a violenta operação policial de quarta-feira no Cairo contra os acampamentos dos apoiantes de Mohamed Morsi.

Segundo relatos recolhidos por agências noticiosas internacionais, entre quarta-feira e hoje, já terão morrido mais de 800 pessoas.

Na sexta-feira o balanço provisório apontava para mais de 600 mortos, sendo que no sábado o porta-voz do Conselho de Ministros, Sherif Shauqui, disse que, de acordo com o Departamento de Saúde, pelo menos 173 pessoas tinham morrido e 1.330 ficado feridas entre as 10:00 de sexta-feira e as 08:00 de sábado.

A Irmandade Muçulmana, que constitui a base de apoio de Morsi garante que já se registaram "milhares de vítimas".

O porta-voz da chamada Frente de Defesa dos Detidos, Mustafa Azab, citado pela agência espanhola EFE, acusou, por sua vez, as autoridades de terem torturado e morto 37 presos no domingo. Os seus corpos permanecem na morgue, e as autoridades negam-se a entregá-los a suas famílias, a menos que estas reconheçam que morreram asfixiados, denunciou Azab.

Entretanto, a Procuradoria de Al Janla, no norte do Cairo, garantiu hoje que as investigações levadas a cabo para esclarecer esse incidente revelaram que esses 37 presos morreram devido a asfixia provocada pela inalação de gás lacrimogéneo.

A agência noticiosa egípcia Mena refere que o incidente ocorreu quando 612 presos, alegadamente membros da Irmandade Muçulmana, estavam a ser transferidos para a prisão de Abu Zabal, quando ocorreu um motim.

Um elemento da polícia terá sido sequestrado pelos 37 presos, que se encontravam dentro de um veículo, tendo as forças de segurança utilizado gás lacrimogéneo para libertá-lo, provocando a morte dos detidos, precisa a Mena.

Em menos de 24 horas e no âmbito desta espiral de violência que assola o Egito, 25 polícias egípcios foram mortos perto de Rafah, elevando para 102 o número de polícias mortos em cinco dias.

Exclusivos