Human Rights Watch exige fim de crianças-soldado

A Human Rights Watch (HRW) exige aos rebeldes sírios que parem de recrutar adolescentes para o combate e avisa os países que financiam estes grupos que poderão ser considerados "cúmplices" em "crimes de guerra"

Num relatório publicado hoje e intitulado "Talvez vivamos, talvez morramos: recrutamento e utilização de crianças pelos grupos armados na Síria", a organização de defesa dos direitos humanos acusa os rebeldes "de utilizarem crianças a partir dos 15 anos nos combates, às vezes sob o pretexto de lhes oferecerem educação."

"Os grupos extremistas, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), recrutaram crianças misturando estudos e treino no manejar de armas e dando-lhes tarefas perigosas, entre as quais missões-suicida", declara a HRW. Ao EIIL, o relatório junta ainda o Exército Sírio Livre, apoiado, mas não armado, pelo Ocidente, e a Frente Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda. Por motivos de segurança e de logística, o relatório não contempla as milícias pró-governamentais.

"Os grupos armados não devem tentar envolver crianças vulneráveis, que viram os seus pais mortos, as suas escolas bombardeadas e o seu meio ambiente destruído", defende a autora do relatório, Priyanka Motaparthy, investigadora na HRW.

O número de crianças-soldado não é conhecido. Todavia, em junho, uma organização síria ligada à oposição, o Centro de Documentação de Violações, dava conta de "194 crianças 'não civis' mortas na Síria desde setembro de 2011". Muitas das crianças-soldado entrevistadas para o relatório afirmaram que se juntaram aos combates seguindo amigos e familiares, outros, afirmavam que, uma vez que a zona onde viviam era palco do conflito, a escola não era uma opção, pelo que acabaram por se juntar à frente de combate.

"Todos os grupos devem comprometer-se publicamente a impedir o recrutamento de crianças-soldado e os governos que fornecem ajuda aos grupos armados devem insistir nisto perante estes e verificar que não existem grupos de crianças-soldado. Quem ajudar financeiramente os grupos que enviam crianças para a guerra pode ser considerado cúmplice em crimes de guerra.", diz a organização HRW.

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