Guerra de palavras na conferência de paz para a Síria

Reunidos em Montreux, nas margens do lago Leman, as quatro dezenas de representantes de países e organizações internacionais depressa perceberam o fosso que os separa para alcançarem uma solução pacífica para a Síria, em guerra há três anos.

Guerra de palavras, acusações de traição e apelos à saída do Presidente Bashar al-Assad marcaram o início da conferência de paz Genebra II, que hoje arrancou na cidade suíça de Montreux (antes de passar para Genebra), com as grandes potências e os negociadores sírios a mostrarem-se inflexíveis nas suas posições.

A abrir o encontro, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lembrou que o objetivo é pôr fim a um conflito que já fez 130 mil mortos, dois milhões de refugiados e 6,5 milhões de deslocados internos. "Todos os sírios estão de olhos postos em nós hoje", afirmou Ban, que na segunda-feira teve de retirar o convite feito ao Irão para estar presente na Conferência depois da pressão dos EUA e da ameaça da oposição síria de não ir a Genebra.

Rússia e EUA também apelaram aos sírios para agarrarem esta "oportunidade histórica", com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, a admitir que as negociações não serão "nem simples, nem rápidas".

Mas com a intervenção do secretário de Estado americano, John Kerry, o tom mudou. "Assad não fará parte do governo de transição. É impossível, inimaginável, que esse homem que protagonizou tal violência contra o seu povo possa conservar a legitimidade para governar".

Palavras que muito irritaram o chefe da diplomacia síria, Walid Muallem, que lhe respondeu: "Senhor Kerry, ninguém no mundo tem o direito de dar ou retirar legitimidade a um Presidente, a não ser os próprios sírios".

O futuro de Assad, na presidência desde 2007, quando sucedeu ao pai através de um referendo e que na segunda-feira se disse candidato às eleições de junho, está no centro de todas as dicussões.

Russos e americanos estão em desacrado sobre as conclusões de Genebra I, a conferência de 2012. Ocidentais querem um governo de transição sem Assad, condição que russos e sírios recusam.

Ahmad Jabra, o chefe da delegação da oposição síria voltou hoje a apelar a Assad para entregar o poder a um Governo de transição.

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