Governo ameaça com "mão de ferro" após tentativa de atentado

O Governo interino do Egito prometeu hoje "reprimir com mão de ferro" qualquer ameaça à "segurança nacional", algumas horas após o ministro do Interior ter escapado a um atentado bombista no Cairo.

Este "ato criminal", considerou o executivo, "não impedirá que o Governo enfrente o terrorismo com força e determinação e reprima com mão de ferro quem ameaçar a segurança nacional. E assim será, até ao regresso da estabilidade" no país.

O Egito tem sido confrontado com uma vaga de violência na sequência da destituição pelo exército, em 3 de julho, do ex-presidente islamita Mohamed Morsi.

Ao início da manhã, uma bomba explodiu à passagem da comitiva de Mohamed Ibrahim, perto da sua residência no Cairo. Duas horas mais tarde, o ministro do Interior surgiu na televisão para denunciar uma "cobarde tentativa" de assassínio através de uma bomba "que foi detonada à distância" e "destruiu "quatro viaturas" da comitiva do ministro e provocou "numerosos feridos" entre a sua escolta pessoal.

Numa referência à dispersão sangrenta das concentrações pró-Morsi em 14 de agosto, declarou: "Tinha prevenido que com a dispersão [dos manifestantes entrincheirados] nas praças Rabaa al-Adawiya e Nahda, haveria uma vaga de terrorismo, era previsível".

A polícia, sob as ordens de Ibrahim, esteve na primeira linha desta operação que terminou num banho de sangue, com centenas de mortos entre os manifestantes em 14 de agosto.

Um alto responsável do Ministério do Interior referiu à agência noticiosa AFP sob anonimato que uma viatura armadilhada explodiu à passagem da comitiva de Ibrahim, perto da sua residência no subúrbio de Nasr City, no Cairo.

No entanto, o comunicado oficial do ministério refere-se a "uma bomba".

Dez oficiais da polícia ficaram feridos no atentado, de acordo com responsáveis dos serviços de segurança. Um alto responsável do ministério afirmou à AFP que um dos polícias perdeu uma perna na explosão.

A agência oficial Mena indicou que as avenidas que conduzem ao ministério, no centro da capital egípcia, foram de imediato bloqueadas pela polícia.

Este foi o primeiro atentado com viatura armadilhada no Cairo desde há longos anos.

A destituição de detenção de Morsi pelos militares desencadeou uma vaga de violências que provocou mais de mil mortos no Egito, na sua maioria manifestantes islamitas.

Em simultâneo, os ataques contra as forças da ordem multiplicaram-se na península do Sinai, e ainda em diversas cidades do mais populoso dos Estados árabes.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG