Duplo atentado suicida mata dezenas em Damasco

Um grupo islamita radical reivindicou o duplo atentado suicida que visou ontem à noite as instalações do serviço de informações do regime sírio num dos subúrbios da capital, Damasco. O ataque verificou-se horas antes do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de visita a Paris, ter pedido a todas as partes envolvidas no conflito que aceitem um "cessar-fogo".

O ataque envolveu dois veículos armadilhados que foram ativados por bombistas suicidas junto de um complexo das forças de segurança, que inclui um dos mais importantes centros de detenção na capital síria. O complexo, que pertence ao exército do ar segundo informação do Observatório Sírio dos Direitos do Homem (OSDH), teria ficado seriamente danificado.

Informações divulgadas pelo OSDH e por cadeias árabes de televisão referiam a existência de dezenas de mortos, mas sem especificar um número. Permanecia também uma incógnita a sorte de centenas de prisioneiros detidos no complexo. Este está situado no subúrbio de Harasta, onde se tinham verificado durante a tarde de segunda-feira combates entre forças fiéis ao regime e grupos da oposição, e o ataque foi reivindicado por uma pequena facção islamita, a Frente al-Nosra.

Esta organização reivindicou, em maio, um outro atentado suicida em Damasco, que causou 55 mortos. A AFP refere que nem os jornais nem os restantes meios de comunicação afectos ao regime deram qualquer notícia do ataque em Harasta.

Após as explosões, que sucederam com 20 minutos de intervalos, testemunhos em Harasta afirmaram às agências terem-se ouvido intensas trocas de tiros durante algum tempo. Este complexo é considerado o mais importante da região de Damasco como centro de detenção de presos políticos.

Em Paris, onde se encontra para debater com o Governo francês a crise síria, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, exortou hoje o regime de Damasco a "declarar um cessar-fogo unilateral". Ban Ki-moon, que falava numa conferência de imprensa com o Presidente François Hollande, pediu às forças da oposição a Bachar al-Assad que respeitem aquele cessar-fogo, caso o Governo sírio o venha a declarar.

Os combates prosseguem em diferentes regiões da Síria e a situação permanece tensa na fronteira entre este país e a Turquia, onde segunda-feira se voltaram a verificar disparos da artilharia de ambos os lados. Ontem, foi o sexto dia consecutivo destes duelos de artilharia na província de Hatay.

A província foi visitada hoje pelo chefe de estado-maior das forças armadas turcas, general Necdet Ozel, que se desloca em seguida a outros pontos da fronteira comum onde se têm registado incidentes.

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