Ban Ki-moon: Ataque a Homs é "prenúncio" de algo pior

O "brutal" ataque do regime sírio contra a cidade de Homs, incluindo bairros civis, é um "prenúncio ameaçador" do pior que há para vir na Síria, disse hoje o secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

O responsável da ONU falou à imprensa após um "briefing", no Conselho de Segurança sobre a sua recente viagem ao Médio Oriente, em que deu conta de um pedido pessoal do secretário geral da Liga Árabe para envio de uma missão conjunta para a Síria.

A proposta, que inclui o envio de um enviado especial conjunto Liga Árabe-ONU, será objeto de consultas no Conselho de Segurança nos próximos dias.

O secretário-geral deixou palavras duras para o veto russo-chinês de sábado, no Conselho de Segurança, a uma resolução apoiando a iniciativa da Liga Árabe e condenando a violência na Síria.

A "incapacidade" de o Conselho "falar numa só e única voz para acabar com a sangria" é "desastrosa para o povo da Síria" e "encorajou o governo sírio a uma escalada da guerra contra o seu próprio povo".

"Milhares de pessoas foram mortas a sangue frio, arrasando com a pretensão do presidente [Bashar Al-]Assad de falar em nome do povo sírio", disse Ban.

"Temo que a brutalidade assombrosa a que assistimos em Homs, com armas pesadas a fazer fogo sobre bairros civis, é um prenúncio ameaçador", adiantou.

O secretário-geral da ONU alertou ainda para as consequências regionais de um agravamento da situação na Síria e para a necessidade de um cessar-fogo e início de um processo político, com apoio da comunidade internacional.

"Se a matança continuar, só vai erodir a legitimidade [de Bashar Al-Assad] como líder. É importante tomar medidas arrojadas e decisivas. A situação atingiu um ponto totalmente inaceitável, mais de 5.000 pessoas foram mortas. Ele deve ser responsável por isto", sublinhou.

Ao Conselho de Segurança, Ban Ki-moon deu ainda conta do momento "crítico" que atravessa o processo de paz israelo-árabe, depois do acordo entre a Autoridade Palestiniana e o Hamas para formação de um governo conjunto de "tecnocratas".

"A reconciliação palestiniana e as negociações com Israel não têm de ser mutuamente exclusivas. Mas há frustração e ceticismo considerável em ambos os lados", adiantou.

"A situação não é favorável e parece que ambas as partes estão a adotar posições de esperar para ver, considerando tudo o que está a acontecer na região", disse o secretário-geral.

Ban Ki-moon deixou um apelo aos líderes israelitas e palestinianos para que apresentem "gestos de boa vontade e factos positivos" para criar um ambiente propício a negociações.

Outro assunto do "briefing" de hoje foi o Sudão e Sudão do Sul, onde a situação é "cada vez mais complexa e perigosa".

O secretário geral disse estar "profundamente preocupado" com a falta de progressos nas negociações pós-independência do Sudão do Sul, levando a decisões unilaterais por ambos os governos, nomeadamente sobre a partilha de receitas petrolíferas, com "retórica crescentemente hostil, que pode facilmente levar a uma escalada militar".

A quebra de confiança entre as duas partes está a ter impacto na disponibilização de ajuda humanitária.

Os líderes dos dois países deverão retomar o diálogo na próxima sexta feira na Etiópia.

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