Austrália compromete-se com envio de 600 militares na campanha contra Estado Islâmico

Austrália compromete-se com envio de 600 militares na campanha contra Estado Islâmico

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, anunciou hoje o envio, nos próximos dias, de um contingente de 600 militares e de aviões para o Médio Oriente no âmbito da luta contra os extremistas do Estado Islâmico (EI).

"O Governo decidiu preparar e destacar uma força militar nos Emirados Árabes Unidos", disse Tony Abbott aos jornalistas em Darwin, no norte da Austrália, citado pela cadeia televisiva ABC.

Um primeiro contingente -- composto por 200 militares, incluindo tropas de elite -- que "podem atuar como assessores militares das Forças Armadas iraquianas ou dos 'peshmerga'" (combatentes curdos) vai viajar para Abu Dabi.

Seguir-se-á um segundo grupo composto por 400 efetivos da Força Aérea australiana e pelo menos oito aviões Hornets, além de aeronaves de abastecimento e logística.

O primeiro-ministro australiano especificou que se trata de "uma operação essencialmente humanitária para proteger milhões de pessoas no Iraque da fúria assassina do Estado Islâmico".

Na quinta-feira, Abbott anunciou a adesão da Austrália à coligação internacional desenhada pelos Estados Unidos para combater os extremistas do EI e destinou uma verba de 20 milhões de dólares australianos (14 milhões de euros) para a luta contra o financiamento do terrorismo.

Segundo estimativas de Camberra, cerca de 60 australianos combatem nas fileiras do EI, enquanto outros 100 trabalham ativamente na Austrália para dar apoio logístico ao grupo radical islâmico e para recrutar 'jihadistas'.

O anúncio da Austrália surge horas depois de o Estado Islâmico ter reclamado a autoria da decapitação do britânico David Haines, um trabalhador humanitário de 44 anos, como represália à entrada do Reino Unido na coligação internacional com os EUA contra o grupo extremista jihadista.

Segundo o centro norte-americano de vigilância dos portais islamitas SITE, o EI divulgou um vídeo em que mostra um presumível militante encapuzado a decapitar o refém britânico, exibido depois de a família de David Haines ter apelado aos raptores para os contactarem.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico disse estar a trabalhar "tão breve quanto possível" para verificar a autenticidade das imagens.

A confirmar-se a autenticidade, esta figura como a terceira execução do tipo em cerca de um mês, levada a cabo pelo Estado Islâmico, depois de dois jornalistas norte-americanos feitos reféns na Síria terem sido mortos da mesma forma.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, considerou a decapitação um "ato de pura maldade", prometendo tudo fazer para levar os responsáveis à justiça.

"Isto é um assassínio desprezível e chocante, de um trabalhador humanitário inocente. É um ato de pura maldade", afirmou, em comunicado.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também já condenou o "brutal assassínio" de David Haines, afirmando estar "ao lado" do seu amigo e aliado na dor e na determinação.

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