Assad diz que guerra está a mudar a favor do regime

O presidente sírio, Bashar al-Assad, declarou hoje que a guerra civil no país está a mudar a favor do regime, noticiou a televisão estatal.

"Há uma alteração na crise, a nível militar, com conquistas permanentes realizadas pelo exército na guerra contra o terrorismo, e a nível social, relativamente à reconciliação" síria, afirmou Al-Assad, numa intervenção perante professores e alunos da escola de Ciências Políticas, em Damasco.

Desde o início da revolta popular, em março de 2011, o regime designa pelo termo "terrorista" os opositores e rebeldes que procuram derrubar o presidente Al-Assad.

Nas últimas semanas, os rebeldes sofreram derrotas, especialmente na região de Qalamun, na fronteira com o Líbano, mas avançaram na região costeira de Lattaquié, bastião do presidente Al-Assad.

"O Estado procura, em primeiro lugar, levar a segurança e estabilidade às regiões principais atacadas pelos terroristas e, em seguida, perseguir as bolsas e células dormentes", disse.

"A Síria é visada não apenas pela posição geopolítica, mas também pelo papel histórico central na região e influência" no mundo árabe, de acordo com Al-Assad.

Trata-se "de uma tentativa (...) de enfraquecer a Síria para que mude a política" de Damasco, que "coincide com os interesses do povo sírio e diverge dos interesses dos Estados Unidos e do Ocidente", disse, numa referência ao apoio norte-americano e de vários países ocidentais à rebelião na Síria.

Bashar al-Assad acusou ainda Israel de "apoiar os grupos terroristas".

Entretanto, o exército sírio lançou hoje uma ofensiva aérea contra a região da Ghuta oriental, e várias outras posições rebeldes nos arredores da capital, causando sete mortos, informou a organização não governamental (ONG) Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres.

Pelo menos "três crianças e quatro homens foram mortos", nos dois ataques de aviões de combate contra Duma, a nordeste de Damasco, indicou.

Um destes ataques atingiu o mercado de Duma, de acordo com a Comissão Geral da Revolução Síria (CGRS), uma rede de militantes no terreno, citada pela agência noticiosa francesa AFP.

O exército sírio efetua, desde março do ano passado, operações para conquistar bastiões rebeldes na Ghuta oriental, que mantém cercada desde outubro.

As forças regulares sírias bombardearam também, mais uma vez, a localidade de Mleiha, onde rebeldes e combatentes islamitas da Frente al-Nosra lutam contra o exército sírio e aliados do movimento xiita Hezbollah libanês.

O regime está a tentar entrar nesta localidade, que bombardeia há dez dias, garantiu o OSDH, sublinhando que o exército sírio e aliados, hoje, tinham conseguido controlar vários setores na periferia de Mleiha.

O OSDH, que se apoia numa vasta rede de militantes e fontes médicas no terreno, referiu também os ataques contra Hammuriyeh, no leste de Damasco, e um bombardeamento em Daraya, um outro reduto rebelde a sudoeste da capital. Nos arredores de Daraya, violentos combates opunham lealistas e rebeldes.

A norte de Damasco, o exército tomou posições numa série de colinas em redor de Rankus, um antigo bastião rebelde nas montanhas estratégicas de Qalamun, recentemente conquistado pelo regime, de acordo com a televisão síria.

E no centro da capital, "um homem foi morto e 22 pessoas ficaram feridas" por uma granada de morteiro, de acordo com a agência oficial síria Sana, que atribuiu o ataque "a terroristas".

O OSDH indicou que este ataque, nos arredores do quartel-general do exército, causou dois mortos.

No norte da Síria, os combates prosseguiam na cidade de Alepo, perto do centro de informações da força aérea, que os rebeldes estão a tentar ocupar.

Pelo menos duas crianças e um homem morreram nesta cidade, no dia seguinte a um ataque que causou 11 mortos, noticiou a AFP.

O conflito na Síria já causou mais de 150 mil mortos, de acordo com o OSDH.

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