Abstenção inferior a 50% no Afeganistão

Mais de metade dos eleitores afegãos votaram hoje nas eleições presidenciais, as primeiras após a transferência de poder das forças internacionais, que se se prolongou durante 13 anos.

Segundo o responsável da comissão eleitoral Ahmad Nuristani, o número de votantes deve superar os sete milhões numa população total com 13.5 milhões de eleitores.

De acordo com a AFP, apesar das ameaças dos talibãs a participação nas eleições foi elevada, com longas filas de eleitores em todo o país.

As autoridades afegãs intensificaram a segurança nos últimos dias e sobretudo durante todo o dia de hoje junto das seis mil assembleias de voto.

Até ao momento registou-se uma explosão na província de Logar, a sul da capital tendo o atentado provocado um morto e dois feridos.

Os talibãs rejeitaram as eleições que consideram uma "conspiração estrangeira" e apelaram aos combatentes para atingirem os funcionários eleitorais, eleitores e as forças de segurança que foram obrigadas a manter encerradas 211 assembleias a nível nacional por receio de atentados.

O presidente da Comissão Eleitoral Independente disse à France Press que o processo está a decorrer melhor do que aquilo que era esperado mas ainda não forneceu números sobre a participação apesar de admitir que há mais adesão nas cidades do que nos meios rurais.

Algumas assembleias de voto começaram a fechar por volta das 17:00 (12:30 em Lisboa) apesar das pessoas que se encontrarem nas filas terem possibilidade de exercer o direito de voto.

Em Cabul, atingida por uma série de atentados durante a campanha eleitoral, centenas de pessoas mantiveram-se nas filas para votar apesar da forte chuva que se faz sentir na capital afegã, e das ameaças dos "insurgentes".

Os últimos dias ficaram marcados pela morte de uma fotógrafa da Associated Press atingida a tiro pelo comandante da polícia da província de Khost.

No total, morreram três jornalistas a trabalhar para meios de comunicação social estrangeiros durante a campanha eleitoral.

De acordo com o ministro do Interior, 400 mil polícias, militares e membros dos serviços de informações estão envolvidos na operação de segurança montada para as eleições, em todo o país.

Esta é a terceira vez que se realizam eleições presidenciais no Afeganistão e põem fim aos treze anos de poder de Karzai, tendo os afegãos votado também para os conselhos provinciais nas eleições que decorreram hoje.

Cerca de 13 milhões de eleitores estavam inscritos, de um total de 28 milhões de habitantes, sendo que os candidatos mais bem posicionados são o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Zalmai Rassoul; o antigo candidato das eleições de 2009, Abdullah Abdullah; e o antigo membro do Banco Mundial, Ashraf Ghani.

Os resultados preliminares da primeira volta não vão ser divulgados antes do dia 24 de abril e a segunda volta, caso se venha a realizar, está agendada para o dia 28 de maio.

Entretanto, o chefe da missão dos observadores da União Europeia às eleições no Afeganistão condenou a suspensão imposta pelas autoridades das mensagens de texto através de telemóvel, afirmando que se trata de uma ameaça à transparência da votação.

Os utilizadores de telemóvel foram capazes de realizar chamadas mas o serviço de mensagens de de texto (SMS) foi suspenso pelas autoridades afegãs que justificaram a medida como "um esforço" no sentido de prevenir mensagens políticas dos candidatos durante a votação.

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