Malala mostra o uniforme que usava quando foi baleada

Oslo, capital da Noruega, é o centro das atenções nos próximos dias. Hoje é entregue o Nobel da Paz de 2014 a Malala e a Kailash, que lutam pelos direitos das crianças.

Segundos depois de anunciarem os nomes de Malala Yousafzai e de Kailash Stayarth como vencedores do Prémio Nobel da Paz, as suas fotos já cobriam as paredes do Centro Nobel da Paz, em Oslo, acompanhadas das biografias. E é aqui que vão continuar as celebrações após a entrega da distinção, hoje, na câmara municipal da capital norueguesa. Os direitos das crianças estão em destaque e é o uniforme escolar que Malala usava quando foi baleada, que marca a exposição do Nobel da Paz 2014.

"Os laureados vêm inaugurar a exposição logo no dia seguinte à entrega do prémio e é um momento de maior descontração das cerimónias, há um concerto, é uma grande festa", diz Kirsti Svenning, responsável pela comunicação do Centro Nobel da Paz. Mas a informação principal está disponível desde o dia 10 de outubro, quando a decisão da academia sueca foi anunciada. Como? "O comité que decide a atribuição do Prémio Nobel é constituído por cinco pessoas e, se juntarmos os funcionários da secretaria e mais um ou dois administrativos, apenas dez no máximo têm conhecimento antecipado de quem ganhou. Garanto que nós não sabemos. O que existe é uma lista dos nomeados, informação que só é facultada nos últimos 15 anos, e é com base nisso que preparamos o nosso trabalho".

Mal o anúncio é feito, a pessoa distinguida é solicitada para ser acompanhada por um fotógrafo nomeado pelo Centro Nobel da Paz e são estas imagens que constituem o núcleo da apresentação do(s) laureado(s). "Os olhos estão todos virados para Oslo nestes três dias", justifica Svenning, acrescentando que as oito semanas que decorrem desde o anúncio à entrega do prémio são de total dedicação aos premiados. O Nobel da Paz é o único nobel entregue na Noruega.

Malala e Kailash deram ontem uma conferência de imprensa em Oslo a antecipar as cerimónias do Prémio Nobel da Paz. Kailash, o ativista indiano, de 60 anos, que tem lutado contra o trabalho infantil, referiu, segundo a Reuters, que "a apatia" é o principal obstáculo para reduzir o trabalho infantil, sublinhando o papel importante da educação. "Traz tolerância para as sociedades, o que traz a paz, a fraternidade global e respeito mútuo um pelo outro", disse. Foi por lutar pelo acesso à educação que Malala foi alvejada no dia 12 de outubro de 2012, no vale do Swat, no Paquistão, quando seguia no autocarro escolar com outros adolescentes, num atentado reivindicado pelos talibãs.

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