Macedónia leva ilegais até à Sérvia. Itália deixa alerta à Europa

Juncker garante que os que procuram proteção europeia nunca serão rejeitados. Grécia prossegue retirada de refugiados das suas ilhas

Após um fim de semana de violência junto à fronteira com a Grécia, a Macedónia levantou ontem as restrições de entrada de imigrantes ilegais, levando cerca de cinco mil pessoas de autocarro ou comboio até à Sérvia, de onde seguirão viagem para o resto da Europa.

"Esperamos que o fluxo nos próximos dois dias seja semelhante. A polícia está a trabalhar em três turnos, os documentos estão a ser emitidos em contrarrelógio", declarou ontem o ministro da Defesa sérvio, Bratislav Gasic, enquanto visitava um centro de receção de imigrantes no sul do país, junto à fronteira com a Macedónia.

Aqui o cenário era de filas enormes de refugiados vindos do Médio Oriente e África, que esperavam pelas autorizações para atravessar a Sérvia. A agência da ONU para os refugiados tem oito tendas na aldeia fronteiriça de Miratovac, no sul da Sérvia, fornecendo comida e abrigo, adiantou à AFP Amet Alimi, presidente da Cruz Vermelha da região.

Muitos destes imigrantes entraram na Europa através das ilhas gregas, nomeadamente Lesbos e Kos, o que levou as autoridades helénicas a fretarem um ferry para os transportar para o porto do Pireu e depois de comboio para a fronteira com a Macedónia. Ontem de manhã, mais 2466 imigrantes, na sua maioria sírios, chegaram aos arredores de Atenas neste ferry, que voltou a sair duas horas depois para nova missão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, o país que a par da Grécia mais imigrantes recebe através do Mediterrâneo, avisou ontem que esta crise de refugiados pode despedaçar a "alma" da União Europeia. "O que está em risco é um dos pilares fundamentais da União Europeia: a livre circulação de pessoas", disse Paolo Gentiloni em entrevista ao jornal Il Messaggero, lembrando as cenas deste fim de semana na fronteira entre a Grécia e Macedónia.

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