Kirchner acusada de racismo em tweet que parodia chineses

Mensagem da Presidente argentina, de visita à China, em que troca os "r" pelos "l" está a dar que falar.

A Presidente argentina, Cristina Kirchner, de visita à China quando está no auge o escândalo provocado pela morte de um promotor federal que a denunciou num caso de encobrimento de iranianos, envolveu-se em nova polémica.

Após reunir-se com empresários chineses, Cristina Kirchner utilizou a rede social Twitter para escrever sobre um seminário empresarial em Pequim, que ela mesma encabeçou: "Mais de 1.000 assistentes no evento? Serão todos de 'La Cámpola' [aparente referência à organização política juvenil argentina 'La Cámpora'] e vieram só por 'el aloz y el petlóleo'?", publicou a presidente argentina na sua conta oficial naquela rede social, referindo-se, claro está, a "arroz" e "petróleo".

"É que é tanto excesso de ridículo e absurdo que só se digere com humor. Sino são muito, mas muito tóxicos", prosseguiu no Twitter, que rapidamente se tornou motivo de crítica entre os internautas e por parte de jornais como o Clarín e o La Nación.

Cristina Kirchner não fez nenhuma referência direta ao escândalo que sacode a Argentina após o promotor federal Alberto Nisman, de 51 anos, ter sido encontrado morto com um tiro na cabeça no seu apartamento em Puerto Madero, quando dirigia uma investigação ao atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, que causou 85 mortos.

Nisman, cujas circunstâncias da morte, a 19 de janeiro, estão ainda por esclarecer, tinha denunciado, quatro dias antes, que a presidente argentina encobrira iranianos suspeitos do atentado devido a um acordo assinado com o Irão em 2013, que implicava esse encobrimento a troco de um impulso no intercâmbio entre os cereais argentinos e o petróleo iraniano.

Cristina Kirchner, que está em Pequim desde segunda-feira com uma delegação de alto nível, incluindo ministros, teve hoje uma reunião com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, com quem rubricou uma declaração conjunta para reforçar a parceria estratégica entre os dois países.

A Argentina e a China assinaram uma quinzena de acordos de cooperação, que abrangem da construção de novas centrais de energia nuclear a projetos de telecomunicações.

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