Julgamento de ex-ministra das Finanças timorense adiado por recursos

Adiamento sine die deve-se aos vários recursos interpostos por irregularidades no processo.

O julgamento da ex-ministra das Finanças timorense, Emília Pires, foi hoje adiado depois da apresentação pela defesa de vários recursos por alegadas irregularidades, incluindo a marcação da própria audiência de hoje.

Em causa, segundo disse à agência Lusa fonte da defesa, estão recursos relativos ao inquérito do processo, incluindo o facto de Emília Pires nunca ter sido interrogada e do Tribunal de Díli ignorar um parecer prévio do Tribunal de Recurso.

Emília Pires é acusada da prática de crimes de participação económica em negócio e administração danosa, por factos que alegadamente ocorreram quando ainda era ministra.

Emília Pires e a ex-vice-ministra da Saúde, Madalena Hanjam, são arguidas por alegadas irregularidades na compra de centenas de camas hospitalares em contratos adjudicados à empresa do marido da ex-ministra das Finanças, com um suposto conluio entre os três para o negócio, no valor de 800 mil dólares.

Em entrevista à Lusa Emília Pires afirmou que os tribunais a querem usar como "vingança" contra o Governo e que até já a informaram, mesmo antes do julgamento começar, que vai ser condenada a 10 anos de prisão.

"Já recebi e-mails de pessoas que parecem ter informações de dentro dizendo que iriam fazer isto. Tenho um e-mail a dizer que iriam usar-me e condenar-me a 10 anos. Até sabem o período", disse Emília Pires, em entrevista à agência Lusa.

"Querem usar-me como uma vingança do que o Governo fez, pelas decisões que tomou e especialmente as resoluções do ano passado", explica.

Emília Pires refere-se às polémicas resoluções aprovadas pelo Governo e parlamento timorenses, em outubro do ano passado, que levaram à expulsão de Timor-Leste de vários magistrados internacionais.

Na sua entrevista acusou o Ministério Público de cometer várias irregularidades e ilegalidades, afirmando que não quer "acusar ninguém" mas simplesmente "explicações" sobre essas irregularidades.

"Se isto está a acontecer comigo que fui uma ministra e li todo o meu caso eu própria, imagina quem não sabe ler e escrever. Se por acaso for incompetência, estes erros vão-se repetindo. Se for ma fé é outra coisa. Mas se for incompetência? Quem se responsabiliza? Ou vai uma montanha de cidadãos inocentes para a cadeia", concluiu.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG