Islamitas perdem para os laicos primeiras eleições do pós-Primavera Árabe

O partido islamita Ennahda (Renascimento), que chegou a ser banido por Ben Ali, ficou em segundo lugar naquelas que foram as primeiras eleições legislativas desde a Primavera Árabe, segundo as primeiras estimativas divulgadas, anunciou o seu porta-voz, Zied Laadhari, hoje citado pela AFP.

Em primeiro lugar ficou o movimento laico Nidaa Tounès (O Apelo da Tunísia), o que, a confirmar-se, mostra uma tendência diferente da registada no Egito, país onde as eleições que se seguiram à Primavera Árabe permitiram a chegada ao poder dos islamitas da Irmandade Muçulmana - que fora outrora banida pelo regime de Hosni Mubarak.

"Nós temos estimativas que ainda não são definitivas. Eles [o Nidaa Tounès] estão à frente com pelo menos uma dezena de lugares. Nós temos quase 70 e eles quase 80" em 217, disse o porta-voz do Ennahda, precisando que as suas estimativas são baseadas em dados de observadores do movimento que estiveram presentes na contagem dos votos.

A Tunísia foi o primeiro país da Primavera Árabe, um movimento revolucionário que depôs ditadores em países como o Egito e Líbia. Na Tunísia, os protestos começaram depois de um jovem de Sidi Bouzid, Mohamed Bouazizi, se ter imolado pelo fogo em dezembro de 2010 depois de as autoridades lhe terem confiscado o carrinho em que vendia frutas e legumes.

Os protestos levaram à queda de Zine el Abidine ben Ali, em 2011, seguindo-se Hosni Mubarak no Egito e Muammar al-Kadhafi na Líbia. Bouazizi, que acabaria por falecer vítima dos ferimetnos sofridos, doi galardoado com o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu, em 2011, a título póstumo.

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