Zuckerberg tenta convencer governo chinês a desbloquear Facebook

Charme de Zuckerberg tenta desbloquear acesso dos chineses ao Facebook. Para isso já aprendeu a falar chinês e anda a ler o Presidente Xi Jinping.

O fundador do Facebook, Marc Zuckerberg, já aprendeu a falar chinês e anda a ler o Presidente Xi Jinping, tentando aparentemente agradar às autoridades chinesas, que desde 2009 bloqueiam o acesso à sua popular rede social.

Na última operação de charme, Mark Zuckerberg recebeu no seu gabinete na Califórnia o regulador da Internet na China, Lu Wei, que se deixou fotografar sentado na secretária do fundador do Facebook, sobre a qual estava pousado um exemplar do livro "Xi Jinping: A governação da China".

Uma fotografia da visita, com Lu Wei e Zuckerberg sorridentes e bem-dispostos, foi afixada no início desta semana num portal do governo chinês, suscitando muitos comentários na imprensa tradicional e nas redes sociais.

Mark Zuckerberg "está a esforçar-se por entrar na China", assinalou um internauta. "O Mark já pode aderir ao Partido Comunista, não é?", observou outro.

O livro de Xi Jinping - um volume de cerca de 500 páginas que reúne extratos de discursos, entrevistas e instruções do lider chinês - foi lançado em outubro passado em nove línguas, entre os quais inglês e português.

Xi Jinping assumiu há apenas dois anos a chefia do Partido Comunista Chinês mas é já considerado um dos mais poderosos lideres a aparecer no país nas últimas décadas.

"Comprei vários exemplares deste livro também para dar aos meus colegas. Quero que eles compreendam o socialismo com características chinesas", disse Mark Zuckerberg a Lu Wei, o ministro que dirige a Administração do Ciberespaço da China.

O fundador do Facebook já tinha surpreendido as autoridades chinesas em outubro passado, durante uma conferência numa universidade de Pequim, em que falou quase uma hora em chinês.

Segundo gracejou na altura, decidira aprender chinês para falar com a sogra, uma vietnamita de origem chinesa.

O número de chineses que utilizam a internet ultrapassou os 640 milhões em junho passado, aumentando em médios 2,3 milhões por mês.

Alegando "razões de segurança nacional", o governo chinês bloqueia o acesso ao Facebook e a outros populares 'websites' no resto do mundo, como o Twitter e o Youtube.

O acesso ao Facebook na China está bloqueado desde julho de 2009, quando tumultos étnicos causaram cerca de 200 mortos no remoto Xinjiang, uma província do noroeste do país, de maioria muçulmana.

As autoridades atribuíram a responsabilidade dos tumultos a separatistas residentes no estrangeiro que "utilizaram as redes sociais para mobilizar os desordeiros e incitar ao ódio entre as etnias da região".

Durante vários meses, todo o Xinjiang - um território com mais de o dobro da superfície da Península Ibérica - esteve sem internet.

O governo chinês não prescinde, contudo, do alcance das novas tecnologias para difundir a sua política.

Pelas fotografias divulgadas na imprensa oficial chinesa, Lu Wei parecia bastante agradado com a visita às instalações do Facebook e como o seu anfitrião, prescindiu da gravata.

Mas quanto ao Facebook propriamente dito, continua tudo como antes - bloqueado.

A única maneira de saltar a chamada "Grande Firewall da China" é através de uma VPN (Virtual Proxy Network) situada fora do país, cuja assinatura semestral custa cerca de 40 dólares (32,5 euros).

Muitos chineses já fazem isso, mas muitos outros parecem sentir inibição para instalar a referida VPN e aceder assim a 'sites' proibidos pelo governo.

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