Uma longa noite em Minsk à procura de paz para a Ucrânia

Ao impasse político vivido na capital da Bielorrússia associou-se o recrudescimento das operações militares. Petro Porochenko ameaça decretar lei marcial em todo o país.

"As discussões vão prosseguir". Mas a "haver acordo, este só será conhecido e assinado na quinta-feira". Após mais de quatro horas de encontro entre Angela Merkel, Vladimir Putin, François Hollande e Petro Porochenko, fizeram um pequeno intervalo para jantar e voltaram à mesa das negociações. Entrava-se na madrugada (hora local em Minsk), continuavam as negociações e confirmava-se declaração feita horas antes pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, de que a "haver acordo", este só seria assinado hoje.

Os presidentes da Rússia, França, Ucrânia e a chanceler alemã procuravam um consenso sobre as condições para um cessar-fogo no Leste da Ucrânia, em que a convergência de posições entre Moscovo e Kiev se afigurava impossível de todo. O MNE adjunto da Rússia, Grigory Karasin, não afastava a hipótese de as negociações só estarem terminadas hoje de manhã. Outras fontes referiam que "as coisas estão a avançar, só não se sabe quando vão terminar".

Uma excelente síntese do ambiente vivido na capital bielorrussa era dada no Twitter de uma jornalista da televisão Russia Today (RT). Escreveu Maria Finochina, numa mensagem acompanhada por uma imagem de pratos de carnes frias e garrafas de vários tipos de bebidas: "Penso que também vão precisar de camas em breve. Negociações continuam @ASLuhn: ao menos há Vodka&Champagne soviético para jornalistas em #Minsk".

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