Turquia invoca artigo 4.º do tratado da NATO e aliados discutem amanhã resposta a ataques terroristas

Ancara entrou na guerra ao Estado Islâmico depois de ser alvo de um atentado há uma semana. E visou também os rebeldes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

A Turquia invocou o artigo 4.º do tratado fundador da NATO para convocar uma reunião destinada a discutir a necessidade de assistência dos aliados face à ameaça que enfrenta neste momento por parte do Estado Islâmico e dos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). A reunião terá lugar amanhã em Bruxelas.

"Os aliados da NATO seguem de muito perto as evoluções e estão solidários com a Turquia", refere um comunicado ontem emitido pela Aliança Atlântica. Invocar o artigo 4.º do tratado permite a um dos membros pedir consultas quando considera "existir uma ameaça à sua integridade territorial, à sua independência política ou à sua segurança", precisa aquele mesmo documento.

Alvo de um atentado dos jihadistas do Estado Islâmico, há uma semana, em território turco, Ancara decidiu bombardear as posições dos terroristas. No sábado estendeu esses ataques ao PKK, que ontem reivindicou a morte de dois soldados turcos. Nesse dia, através do seu site de internet, os rebeldes curdos escreveram: "A trégua já não tem qualquer significado depois destes ataques aéreos do Exército turco ocupante."

Perante este cenário, a chefe da diplomacia europeia e a chanceler alemã telefonaram ontem aos seus homólogos turcos para pedir a continuação do processo de paz entre a Turquia e o PKK. "Os grupos terroristas não devem prejudicar o processo de paz e o cessar-fogo deve ser preservado", afirmou ontem Federica Mogherini num comunicado emitido pelo Serviço de Ação Externa da UE. "A chanceler pediu que não se desista do processo de paz com os curdos e que ele continue. Neste contexto lembrou ainda o princípio da proporcionalidade na hora de implementar as medidas necessárias", disse o porta-voz de Angela Merkel, citado pela agência Reuters.

Segundo a Sky News, o governo da Turquia quer convencer os aliados a criar uma zona segura ou uma zona de exclusão aérea entre a Síria e a Turquia. Seria uma espécie de zona tampão onde ficariam todos os deslocados que procuram fugir ao Estado Islâmico.

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