Syriza cimenta liderança e Tsipras define eleições como novo referendo

Indecisos continuam a rondar os 10% e os dissidentes que fundaram a Unidade Popular apresentam uma descida nas intenções de voto. Nova Democracia continua a defender uma coligação governamental alargada

A praça Syntagma voltou ontem a encher, apesar de menos que nos comícios do referendo de 5 de julho, para o comício de encerramento da campanha do Syriza. E foi precisamente a um referendo que Alexis Tsipras comparou as legislativas antecipadas de amanhã. A seu lado, estavam Pablo Iglesias, do espanhol Podemos, Pierre Laurent, do Partido Comunista francês, Ska Keller, dos Verdes alemães, e Gregor Gysi, do Die Link alemão.

"No domingo teremos de enfrentar mais um referendo crucial. O dilema é se deixamos a Grécia voltar para trás ou continuamos juntos o grande esforço que começámos em janeiro de devolver a dignidade ao país", disse Tsipras na praça de Atenas onde fica o parlamento.

O líder do Syriza pediu ainda aos jovens para não se absterem e aos eleitores da esquerda - agora mais dividida com a criação da Unidade Popular - para não permitirem o regresso da "direita neoliberal que se quer vingar". Os conservadores também estiveram na mira de Tsipras, que lhes pediu para escolherem a "integridade e honestidade".

Como foi habitual nas suas intervenções, o ex-primeiro-ministro mostrou-se certo de que o Syriza irá receber "um terceiro e final" mandato e até uma maioria confortável que lhe permita governar nos próximos quatro anos. "Não deixemos que a abstenção ganhe, porque a abstenção não é uma decisão antissistema, é o que deseja a Nova Democracia", assinalou.

A Nova Democracia fez o seu comício de encerramento na quinta-feira à noite na Praça Omonia, em Atenas. No evento, Vangelis Meimarakis voltou a sublinhar a necessidade de haver um consenso político pós-eleitoral e pediu ao povo grego para votar na estabilidade. "Escolhemos a Omonia para simbolizar o caminho que queremos para o país. Enviamos mensagens de unidade para todo o povo grego", declarou o sucessor de Antonis Samaras à frente dos conservadores.

Leia mais edição impressa ou no epaper do DN.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.