Suplicar pela prisão a troco de comida e teto

"Deixem-nos entrar na prisão, para ter um lugar onde dormir, comida, água potável e roupa quente", é o pedido de dois homens marroquinos.

Sheikh Kdrawi e Kdrawi estão desempregados e não têm casa para viver. No desespero de terem de alimentar os filhos, escreveram uma carta ao governo da cidade com um pedido especial. "Deixem-nos entrar na prisão, para ter um lugar onde dormir, comida, água potável e roupa quente".

A carta, cuja cópia foi publicada, nesta quinta-feira, pelo jornal "Ajbar al Yaum", foi assinada por dois homens casados, com dois filhos cada um, e enviada ao Tribunal de Primeira Instância de Bouarfa, cidade situada ao noroeste de Marrocos. Na carta que eles escreveram no dia 25 de novembro, lamentam a situação de precariedade em que vivem e dizem que "preferem morrer vivos do que viver mortos".

Ao tribunal, explicam que têm muitas "dívidas e problemas" e agradeciam caso "alguém encontrasse uma solução para poderem levar uma vida digna". Se assim não for "insistimos em ir para a prisão com a nossa família para poder comer, beber, e usufruir de um abrigo".

Os pais de família, de 45 anos, continuam sem resposta. Não é a primeira vez Sheikh Kdrawi e Kdrawi tentam dirigir-se às autoridades locais ou demonstrar a angústia que sentem em manifestações que os próprios organizaram pela cidade, para protestar da sua situação.

Segundo o El Mundo, Kpora, membro da associação marroquina dos direitos humanos, em Bouarfa, assegura que os seus pedidos são legítimos. Todos os cidadãos têm direito a comida e teto.

A esperança continua, e a associação espera que o governo possa dar atenção ao caso destes dois homens e arranjar uma solução para ambos sem que seja necessário irem para a cadeia.

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