"Sistema eleitoral britânico é particularmente patológico"

Autor de Reinventar a Democracia, Manuel Arriaga, que também leciona em Cambridge, falou ao DN sobre a atualidade política britânica e as ideias que defende no seu livro.

O que revela a vitória do partido conservador?

O ponto mais saliente é o do enorme fosso que o sistema eleitoral britânico gera entre a proporção do voto popular e a distribuição de deputados por partido. Os conservadores tiveram 6% mais do que os trabalhistas e, com isso, chegaram à maioria absoluta.

Distorce a vontade do eleitor?

O sistema é particularmente patológico na minha perspectiva e na de muitas outras pessoas. Tem algumas vantagens, mas gera este fosso entre a vontade da população que apoia um partido e os deputados obtidos por este.

Mas os resultados não deixam de evidenciar a vontade popular...

Em 2015, qualquer reflexão sobre resultados eleitorais tem de ter em conta o complexo político-mediático que gera estas figuras, estas personas chamadas Cameron, Miliband, Clegg, que não são mais do que produtos desse sistema. Qualquer noção de vontade popular deve ser ponderada tendo em vista a pobreza e a precariedade de informação com base na qual os eleitores formulam as decisões.

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Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.