Rodrigo Rato nega ter sociedades em paraísos fiscais ou fora da UE

Ex-vice-primeiro-ministro espanhol e antigo diretor-geral do FMI foi detido ontem após buscas na sua casa e depois libertado.

O ex-vice-presidente do Governo espanhol Rodrigo Rato declarou hoje à agência EFE que não detém qualquer sociedade "nem num paraíso fiscal nem, sequer, fora da União Europeia".

As afirmações de Rato surgem um dia depois de ter sido detido, e libertado horas depois, e depois de se saber que o fisco espanhol o está a investigar devido a um alegado esquema entre sociedades com ligações através de territórios "offshore".

Após ter regressado a casa na sequência de uma nova revista das autoridades ao seu escritório no bairro de Salamanca, Rato negou ter movimentado dinheiro entre as suas empresas devido à fiança imposta pelo juiz da Audiência Nacional Fernando Andreu por causa do caso Bankia.

O ex-ministro da Economia e das Finanças dos governos de Jose Maria Aznar (Partido Popular, conservador) respondia assim à suposta investigação da Agência Tributária espanhola relativa a empresas das quais são titulares Rato, a sua ex-mulher María Ángeles Alarcó, a sua irmã e uma sobrinha, e que terão ramificações em paraísos fiscais.

Sobre este aspeto, Rato declarou que não detém nenhuma sociedade "num paraíso fiscal, nem sequer na União Europeia".

Fontes da investigação citadas pela EFE, os investigadores da unidade de informações financeiras para prevenir o branqueamento de capitais ficaram alarmados quando detetaram movimentos entre as suas sociedades após a fiança do caso Bankia.

A medida cautelar decidida pelo magistrado destinava-se a cobrir responsabilidades pela entrada em bolsa do Bankia (banco a que Rato presidiu) e que levaram o Governo a denunciar estas operações ao Ministério Público.

O Ministério Público acabaria por considerar que existem indícios de fraude, branqueamento de capitais e ocultação de bens.

Na sequência, um juiz de Madrid ordenou uma revista a casa de Rato, e posteriormente ao seu escritório. A inspeção demorou mais de sete horas e prolongou-se até à manhã de hoje.

Já na madrugada de hoje, o antigo diretor executivo do FMI mostrou confiança na justiça e disse que daria toda a colaboração no caso.

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