Quatro cenários na Grécia: da coligação alargada a novas legislativas

Três votações realizadas este ano custaram ao Estado 110, 7 milhões de euros. Eleições de janeiro foram as mais caras.

As eleições legislativas antecipadas de hoje podem marcar o início de mais um período agitado na vida política da Grécia. Nenhum dos dois principais candidatos à vitória eleitoral - o Syriza, de Alexis Tsipras, e a Nova Democracia, de Vangelis Meimarakis - aparece nas sondagens perto dos 38% de votos necessários para conseguir uma maioria parlamentar de 151 deputados, apesar de o vencedor contar com um bónus de 50 lugares,

Esta é a terceira vez que os gregos vão às urnas este ano, depois das eleições antecipadas de 25 de janeiro, que deram a vitória ao Syriza, e o referendo de 5 de julho, no qual o não aos credores saiu vencedor. Segundo dados apresentados esta semana pelo Ministério do Interior grego, estas três votações custaram aos cofres do Estado 110,7 milhões de euros. As eleições de hoje vão ter um custo de 33,2 milhões de euros, um valor mesmo assim abaixo da votação de janeiro, que custou 51,1 milhões. O referendo ficou-se pelos 26,7 milhões de euros.

Mas o que importa agora é o dia seguinte e que, no pior dos cenários, poderá representar a convocação de novas legislativas. Estes são os cenários que estão no horizonte da vida política da Grécia.

Syriza e Nova Democracia unidos

Uma aliança entre os dois maiores partidos da Grécia iria garantir uma maioria parlamentar sólida, ajudada pelos tais 50 lugares de bónus para a força mais votada, que, segundo as sondagens deverá ser a liderada por Alexis Tsipras. Esta coligação iria, de certeza, agradar aos credores internacionais, mas deverá ser o cenário mais improvável destas eleições.

O líder da Nova Democracia, Vangelis Meimarakis, tem repetido diariamente que está aberto a um acordo com o Syriza e que, em caso de vitória, Alexis Tsipras será a primeira pessoa a quem proporá uma aliança governamental. Ao mesmo tempo, tem acusado o Syriza de "incompetência"na forma como lidou com a crise.

Já Alexis Tsipras tem rejeitado coligar-se com os partidos da "velha política grega", ou seja Nova Democracia e PASOK, que criaram na Grécia um sistema político corrupto e conduziram o país à crise.

O perigo desta coligação é que tornaria os neonazis da Aurora Dourada no maior partido da oposição, pois todas as sondagens indicam que deverão repetir o terceiro lugar conquistado nas eleições de janeiro.

Alianças com PASOK e To Potami

Dependendo dos resultados finais, Syriza ou Nova Democracia fazerem uma aliança com um dos partidos moderados pró-Europa mais pequenos pode chegar para conseguir formar governo. Mas a ideia dominante de que o país precisa de uma coligação alargada em nome da estabilidade poderá levar a que o próximo governo seja composto por, pelo menos, três destes partidos.

Meimarakis já garantiu que a Nova Democracia juntará forças com PASOK (repetindo anteriores coligações) e To Potami caso o Syriza rejeite a sua oferta de aliança. Tsipras, apesar da sua natural relutância, não fechou totalmente a porta ao To Potami e até ao PASOK, apesar deste encaixar na categoria da "velha política".

Tanto a socialista Fofi Gennimata e o moderado Stavros Theodorakis já se mostraram disponíveis para participar em coligações alargadas para garantir a estabilidade do país. O líder do To Potami chegou mesmo a dizer que faria uma aliança "até com o diabo" para garantir uma Grécia estável.

Em equipa vencedora não se mexe

Desde a demissão do governo de Alexis Tsipras, a 20 de agosto, o Syriza só foi claro nas suas intenções relativamente a um cenário de aliança: a coligação com o ANEL era para continuar, mesmo que o Syriza ganhasse hoje com maioria absoluta.

O partido conservador eurocético de Panos Kammenos também tem feito constantes juras de fidelidade ao Syriza de Alexis Tsipras, descartando coligar-se com qualquer outra força política. Ao mesmo tempo, PASOK e To Potami também já descartaram aliar-se ao ANEL.

O problema deste cenário é que a esmagadora maioria das sondagens atribui ao ANEL intenções de voto abaixo os 3%, o valor mínimo para se garantir a entrada no parlamento grego.

Mais umas eleições antecipadas

Este é o cenário que não agrada a ninguém, sejam eles partidos de direita, de esquerda, gregos no geral ou credores. Só criaria mais instabilidade política, atrasaria a implementação do terceiro resgate e desgastaria ainda mais os já cansados eleitores - basta ver que as sondagens para as legislativas de hoje apontam para uma média de 10% de indecisos.

Para evitar uma nova ida às urnas, Alexis Tsipras, mais do que qualquer outro líder político, tem insistido na necessidade de uma maioria absoluta. E disse esta semana que To Potami e PASOK deveriam ser responsabilizados se insistissem numa aliança com a participação de Syriza e Nova Democracia.

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