Protestos de militantes pró-democracia após serem comparados aos escravos

Manifestantes pró-democracia em Hong Kong exigem desculpas de uma diretora do banco HSBC depois desta os ter comparado aos escravos afro-americanos.

Milhares de pessoas estão a assinar uma petição online a exigir desculpas de uma das diretoras do HSBC em Hong Kong, Laura Cha, depois desta comparado os manifestantes pró-democracia no território e a sua reivindicação de eleições diretas ao sucedido nos Estados Unidos após a abolição da escravatura.

Os comentários de Laura Cha, que integra a administração do território e é também deputada ao Parlamento chinês, foram feitos em Paris e reproduzidos pelo diário The Standard de Hong Kong.

A frase que causou a irritação no campo pró-democracia foi a seguinte: "Os escravos americanos foram libertados em 1861, mas só alcançaram o direito de votar 107 anos mais tarde. Então, por que é que em Hong Kong não se pode esperar um pouco mais de tempo?", disse Laura Cha numa conferência em Paris.

Ainda que o direito de voto para os afro-americanos do sexo masculino tenha sido estabelecido em 1870, todas as limitações ao seu exercício só foram efetivamente desmanteladas com as leis de 1965 durante a presidência de Lyndon Johnson.

Perante a irritação causada, Laura Cha, que dirige a departamento de Conduta e Ética do banco, divulgou um comunicado em que tenta clarificar o alcance da sua afirmação. Segundo esta responsável do HSBC, o que ela pretendia dizer era que cada país segue o seu percurso próprio para a democracia e que, de modo algum, pretendia faltar ao respeito a quem quer que seja.

Quer os porta-vozes do governo do território quer do HSBC recusaram fazer qualquer comentário sobre as declarações de Laura Cha, que levaram ao lançamento de uma petição online dirigida à direção do banco, e assinada pela "População de Hong Kong".

Colónia britânica até 1997, o território regressou neste ano à soberania chinesa com estatuto de regional autónoma especial, com uma dimensão de pluralismo e liberdade de expressão inexistentes na China continental. O estatuto de Hong Kong contempla a possibilidade de eleições gerais livres e diretas como objetivo a aplicar no futuro, mas que permanece por concretizar.

Em agosto, o governo de Pequim anunciou que haveria uma seleção prévia de candidatos para a eleição do próximo presidente do executivo local, marcada para 2017. Este anúncio originou uma campanha de protestos que persiste até hoje, com ocupação das algumas das principais artérias do território.

O HSBC é um dos mais importantes bancos mundiais, com sede em Londres, e possui a maior rede de agências de um banco estrangeiro na China continental, refere a Reuters.

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