Protestos de Hong Kong são "em vão", diz chefe de governo após confrontos

A polícia disse que "não teve outra hipótese" senão usar gás pimenta e bastões para fazer recuar os manifestantes.

O chefe do Executivo de Hong Kong, CY Leung, disse hoje que os protestos pró-democracia foram "em vão", depois de a polícia ter usado gás pimenta e bastões contra estudantes que tentaram invadir a sede do governo esta noite.

"Eu já disse antes que o 'Occupy Central' não só é ilegal como também vai ser em vão", afirmou CY Leung, ao descrever os protestos iniciados há mais de dois meses como "intoleráveis".

"Agora os pedidos (da população) para a polícia limpar as ruas estão a aumentar. Daqui para a frente, a polícia vai aplicar a lei sem hesitação", disse aos jornalistas.

CY Leung acrescentou ainda que "algumas pessoas têm confundido a tolerância da polícia com fraqueza".

"Peço aos estudantes que estão a planear voltar aos locais ocupados para não o fazerem", afirmou Leung, citado pela Rádio e Televisão Pública de Hong (RTHK).

Mas o chefe do executivo não respondeu quando questionado se a polícia iria evacuar a zona de Admiralty esta noite.

Antes das declarações de CY Leung, o líder da Federação de Estudantes de Hong Kong, Alex Chow, disse que os manifestantes não abandonaram o princípio da não-violência, afirmando que as pessoas só responderam à carga policial, e descreveu a ação da noite de domingo como um sucesso. "A sede do governo estava paralisada esta manhã. Em certa medida, o objetivo da ação foi atingido", disse hoje Alex Chow em Admiralty.

Os departamentos do governo estavam fechados hoje de manhã e o Conselho Legislativo foi suspenso depois de manifestantes terem forçado os cordões policiais e ocupado uma estrada junto ao complexo governamental durante a noite.

A polícia disse que "não teve outra hipótese" senão usar gás pimenta e bastões para fazer recuar os manifestantes.

Segundo um porta-voz, 40 pessoas foram detidas e 11 agentes ficaram feridos.

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