Projecto da AMI para apoiar crianças nunca saiu do papel

O projecto da AMI para criar uma fundação na Ucrânia para financiar a construção de um centro pediátrico para os filhos dos deslocados do acidente nuclear de Chernobyl nunca avançou devido aos entraves colocados pelas autoridades locais.

Esta iniciativa enquadrava-se numa área de intervenção da Assistência Médica Internacional (AMI), designada por microprojecto, que consiste em financiar programas, cuja organização é feita localmente, explicou à Lusa Tânia Barbosa, uma das responsáveis deste departamento. "Nós actuamos como financiadores activos, não deslocamos equipas para o terreno. A organização é local", explicou. No entanto, surgiram vários problemas, "entraves legais, burocracias e a própria legalização do funcionamento da fundação foi posta em causa", o que levou a que a AMI acabasse por não financiar o projecto.

Em Julho de 2008, o então presidente da AMI, Fernando Nobre, anunciou a criação de uma fundação com o objectivo de financiar a construção de um centro em Lutsk, capital da província de Volynskaia, para apoiar as crianças. Inicialmente a AMI disponibilizaria uma verba de 100 mil euros e depois continuaria a assegurar o financiamento do projecto, que consistia em recuperar um centro já existente mas muito degradado, com capacidade para 50 crianças.

O objectivo era recuperar o centro, aumentar a capacidade para 75 lugares e assegurar acompanhamento pediátrico às crianças e apoio alimentar e pedagógico. A AMI pretendia recrutar pediatras na Ucrânia e assegurar financeiramente que acompanhassem as crianças daquele centro, uma vez que o número de médicos no país era suficiente, não sendo necessário recorrer aos portugueses.