Preservativos com sabor a caipirinha para o Mundial

O Mundial de Futebol deu o mote a uma campanha de uma marca de preservativos moçambicana, que junta as "cores e o sabor da caipirinha do Brasil" num novo produto, procurando convencer os consumidores a praticarem sexo seguro.

Nas televisões, rádios e jornais moçambicanos, a campanha publicitária da marca Jeito indicia a proximidade do Campeonato do Mundo de futebol de 2014, que arranca em junho e que tem o Brasil como país anfitrião.

Além de uma mera associação ao evento desportivo, a marca de preservativos, um braço da organização não-governamental norte-americana Population Services International (PSI) em Moçambique, decidiu criar um produto "com sabor a caipirinha", bebida alcoólica de bandeira do Brasil, cuja origem está associada ao estado de São Paulo.

"O objetivo [do lançamento da gama de preservativos] é sair do convencional, brincar um pouco mais, e as pessoas perceberem que podem fazer sexo e se prevenirem de várias doenças, mas de uma forma diferente, divertida e fora do comum", explicou à agência Lusa o responsável de Comunicação e Marketing da marca, Leonardo Chaúque.

Com tons verde e amarelo e "disponível em diferentes tamanhos", a edição especial da nova gama de preservativos - 140 mil unidades no total - foi produzida por uma empresa asiática, devendo ser colocada à venda em "locais que transmitam os jogos do mundial" no país ao preço de 25 meticais (cerca de 60 cêntimos de euro).

Concebida pela agência de publicidade moçambicana Golo, a campanha para as televisões utiliza animações simples, que se revestem de um tom humorístico e em que se faz uma associação entre a "linguagem futebolística", o nome da marca e o risco das doenças sexualmente transmissíveis.

"Atenção às cabeçadas. É preciso ter Jeito para o futebol", anuncia-se numa das três campanhas desenvolvidas.

"Neste momento, ainda há muitas pessoas que se desdobram e que esgrimem argumentos para não usarem preservativo. Dizem que eles são pequenos, que têm cheiro de borracha: há sempre algum motivo para alguém não os usar", lamentou Chaúque, sublinhando a aposta da marca em combater estes preconceitos dos consumidores.

Em Moçambique, o VIH/Sida ocupa a prioridade das autoridades no contexto do combate às doenças sexualmente transmissíveis, tendo o país uma taxa de prevalência de 11,5 por cento na população com idade compreendida entre 15 e 49 anos, segundo dados do Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre o HIV e SIDA (INSIDA), de 2009.

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