Partido de Dilma e Lula abalado com a prisão do tesoureiro

Vaccari Neto preso por suspeita de lavagem de dinheiro quando saía ontem de casa, em São Paulo, para fazer jogging.

O tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), da presidente Dilma Rousseff, foi ontem preso pela Polícia Federal do Brasil no âmbito da Operação Lava-Jato - que investiga o escândalo de desvio de dinheiro da estatal Petrobras para as contas de partidos políticos. João Vaccari Neto é acusado de ter usado uma empresa gráfica fictícia e a conta da sua mulher, ouvida ontem pela polícia, para lavar dinheiro. O episódio coloca o PT - e por consequência o governo de Dilma Rousseff - numa posição cada vez mais incómoda perante a opinião pública e debaixo de fogo cerrado da oposição e da imprensa.

O valor desviado para a Gráfica Atitude, uma empresa em nome de dois sindicatos ligados ao PT, o dos Metalúrgicos do ABC, onde Lula da Silva, antecessor de Dilma Rousseff, começou a carreira sindical, e o dos Bancários, ronda os 2,5 milhões de reais (perto de 800 mil euros).

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

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