Obama preocupado com práticas de tortura nas prisões secretas da CIA

Barack Obama contactou governo polaco sobe a divulgação do relatório da CIA que revela maus tratos, abusos e torturas numa instalação secreta da CIA em território polaco.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e a primeira-ministra polaca, Ewa Kopacz falaram hoje ao telefone sobre o relatório do Senado norte-americano que revela as práticas de tortura e prisões secretas da CIA.

O governo polaco, condenado pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos a indemnizar os alegados terroristas que estiveram presos num dos centros de detenção situado na Polónia, informou sobre a divulgação, hoje, do documento.

O escândalo sobre a Polónia foi conhecido em 2008 através das notícias publicadas pelo jornal New York Times que noticiou que os detidos tinham sido transportados de avião até ao aeroporto de Szczytno, no norte da Polónia, onde em 2003 estava localizado um centro de detenção secreto da CIA.

O socialista Leszek Miller, na altura primeiro-ministro da Polónia, negou a existência do centro de detenção secreto.

Em julho, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou a Polónia a pagar 134 mil dólares a dois homens de nacionalidade saudita (Abu Zubaydah e Abd al Rahim alNashiri) que processaram Varsóvia pelos maus tratos sofridos numa instalação secreta da CIA em território polaco.

Os dois sauditas agora detidos na base militar norte-americana de Guantanamo, em Cuba, garantem que estiveram numa instalação secreta da CIA na Polónia e submetidos a abusos e torturas pela alegada ligação aos extremistas da Al-Qaida.

Segundo informou hoje o Executivo polaco no contacto telefónico, Obama e Kopacz analisaram também o compromisso de Washington sobre os acordos alcançados na última cimeira da NATO no Reino Unido, nomeadamente sobre a cooperação militar mas que o contacto ficou a dever-se à divulgação do relatório da CIA.

Em abril, a Comissão do Senado dos Estados Unidos sobre serviços de informações decidiu desclassificar um resumo de 480 páginas do relatório de 6.200 páginas sobre a CIA, que foi preparado pelos membros do Partido Democrático.

De acordo com fontes citadas pelo jornal Washington Post o documento conclui que a Agência Central de Informações (CIA) exagerou em práticas de tortura nomeadamente nas técnicas de afogamento simulado que consiste em deixar verter água sobre o rosto do detido para provocar a sensação de asfixia.

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