O pragmatismo do (ex)radical Alexis ou a surpresa Vangelis?

Gregos têm de escolher entre dar a segunda oportunidade ao líder do Syriza e a "figura partenal" do líder da Nova Democracia

Sobre Alexis Tsipras, Vangelis Meimarakis diz: "O rapaz é um manhoso, sempre com um sorriso na cara". Já o ex-primeiro-ministro do Syriza prefere manter os ataques centrados na Nova Democracia e menos no advogado bigodudo que a lidera de forma interina desde 5 de julho, alertando os gregos para um regresso ao passado se lhe derem a vitória nas eleições antecipadas de hoje. É entre estes dois homens que tudo parece separar - um de esquerda outro de direita, um do Panathinaikos outro do Olympiakos, um ateu outro cristão ortodoxo, um filho de um construtor civil outro filho de um deputado - que os eleitores têm de escolher o que acham melhor para salvar a Grécia da crise e aplicar as medidas de austeridade de um terceiro resgate.

Eleito a 25 de janeiro com um discurso anti-austeridade e a promessa de rasgar o memorando de entendimento com a odiada troika, Tsipras tornava-se no mais jovem primeiro-ministro da Grécia moderna. Aos 40 anos, o atraente líder do Syriza iniciava então meses de braço-de-ferro com os parceiros europeus que lhe exigiam mais reformas em troca do dinheiro que faltava entregar do segundo resgate. Foi sem gravata e com o tal sorriso nos lábios que se apresentou em Bruxelas. Um estilo informal - nem a gravata de seda que recebeu de presente do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi numa visita a Roma o convenceu a abandonar o colarinho aberto - que não lhe granjeou muitos amigos.

O ponto de viragem surgiu a 26 de junho. Com os negociadores gregos trancados numa sala com os parceiros europeus, Tsipras mandou-os sair com um SMS. E convocou um referendo às medidas de austeridade de um acordo que já nem existia. A 5 de julho ganhou o Não (esse Oxi pelo qual o governo fez campanha). Mas quem esperava um Tsipras exultante enganou-se. Já sem o seu vistoso e incómodo ministro das Finanças Yanis Varoufakis (demitiu-se nessa mesma noite), voltou a Bruxelas e depois de uma maratona negocial o homem que prometera rasgar o segundo, assinou o acordo para um terceiro resgate. A 20 de agosto - com as sondagens a vaticinarem uma maioria absoluta do Syriza e a dá-lo como o líder mais popular - demite-se da chefia do Governo com o argumento de que só os gregos lhe podem dar um novo mandato para aplicar as reformas que este memorando exige.

Com a vitória do Não no referendo, não foi só a vida de Tsipras que mudou. Com a demissão de Antonis Samaras, o ex-primeiro-ministro e líder da Nova Democracia cuja incapacidade para fazer aprovar o seu candidato presidencial em dezembro de 2014 levou às eleições antecipadas de janeiro, Evangelos (ou Vangelis como prefere ser tratado) Meimarakis foi chamado como líder interino. De interino a candidato a primeiro-ministro (a escolha de um novo líder ficou adiada mais para fim do ano) foi um pequeno passo.

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