Milícias de pigmeus reabrem conflito no Congo

Porta-voz militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização da RDCongo indica que conflito provocou 27 mortos numa semana

As Nações Unidas referiram hoje que 27 pessoas foram mortas e diversas feridas numa semana, na sequência de diversos ataques de milícias de pigmeus contra povoações bantus no sudeste da República Democrática do Congo (RDCongo).

As mortes ocorreram durante três ataques efetuados entre 09 e 15 de fevereiro num raio de 160 quilómetros em redor da cidade de Manono, na zona norte da província de Katanga, indicou durante uma conferência de imprensa em Kinshasa o tenente-coronel Felix-Prosper Basse, porta-voz militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização da RDCongo (Monusco).

Desde 2013 que um conflito opõe os bantus, maioritários, aos pigmeus (caçadores-recolectores presentes em diversos países da África Central) no distrito de Taganyika, em particular na zona de Manono.

As informações do porta-voz militar da Monusco parecem confirmar um recrudescimento do conflito, que conheceu um período de acalmia nos últimos meses.

Os confrontos entre milícias dos dois grupos rivais, sobretudo munidos com armas tradicionais (arcos e flechas e machados), ou os ataques a civis por membros dos dois grupos em conflito são regulares e geralmente provocam mortes, pilhagens ou incêndios de aldeias inteiras.

Marginalizados durante muito tempo, os pigmeus pretendem o reconhecimento dos seus direitos, mas as reivindicações colidem com a recusa das populações bantus, tradicionalmente mais apoiadas e protegidas pelas autoridades locais.

No Katanga, e em outras regiões da RDCongo, o modo de vida dos pigmeus está ameaçado pela deflorestação, a exploração de minas e a extensão dos terrenos agrícolas promovidos pelos bantus. Em paralelo, e apesar de alguns progressos, os pigmeus passam a depender totalmente dos bantus para a sua magra subsistência quando são expulsos do seu meio natural.

Os pigmeus também estão instalados nas vastas florestas do norte do país, onde a coabitação é por vezes difícil com as restantes comunidades, sem no entanto se verificaram as violências que afetam a região de Katanga.

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