Mercosul condena "espionagem global" dos EUA

O Mercosul condenou a "espionagem global" dos Estados Unidos a líderes de vários países e organizações internacionais, insistindo na necessidade de garantir a segurança das telecomunicações na região e combater as ações que vulneram a soberania da região.

A condenação teve lugar na quarta-feira, em Caracas, durante uma reunião de ministros de Relações Exteriores de países membros do Mercosul, na qual participaram a Argentina, Brasil, Uruguai e a Venezuela e que foi encerrada pelo Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Ratificou-se a condenação da espionagem global realizada pelo governo dos Estados Unidos e abordaram-se as medidas necessárias que devem tomar os governos e os setores da nossa sociedade", explicou aos jornalistas o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaúa.

Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores da Venezuela destaca que os países membros do Mercosul estão "conscientes de que as ações de espionagem dos Estados Unidos continuam a acentuar-se, motivando uma dura crítica a nível mundial".

"Os ministros comprometeram-se em formalizar a criação de uma instância permanente, dentro da estrutura do Mercosul, para prestar atenção a todos os temas derivados da segurança das telecomunicações na região e combater as ações que vulneram a soberania dos nossos países", precisa o comunicado.

Um outro comunicado destaca que, durante a reunião, foi analisada uma proposta de diálogo do Mercosul com a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, a PetroCaraíbas e a Comunidade das Caraíbas.

O propósito é "avançar na construção de uma zona económica completar, regional, para consolidar a união latino-americana e caribenha, promover o desenvolvimento integral, combater a pobreza, a exclusão social, a complementação, solidariedade e cooperação".

Por outro lado, reiteraram o interesse do Mercosul em chegar a um acordo comercial com a União Europeia.

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