Macron: o ministro que a esquerda odeia. E os franceses adoram

Criticado por colegas do PS e do governo, titular da pasta da Economia viu popularidade subir seis pontos percentais, para os 30%.

Críticas à lei das 35 horas de trabalho, ao imobilismo dos funcionários públicos - eleitorado tradicional dos socialistas franceses -, à quase obrigatoriedade de ser deputado para se ser ministro. Com tantas declarações bombásticas, não espanta que Emmanuel Macron irrite cada vez mais a ala esquerda do PS. Mas, aos 37 anos, o ministro da Economia já seduziu os franceses. A prova? A sua popularidade subiu seis pontos percentuais (para 30%) na última sondagem Odoxa-L"Express, enquanto a do presidente François Hollande e a do primeiro-ministro Manuel Valls continuam a cair.

Pode ser o chouchou (o queridinho) dos franceses, mas Macron conseguiu irritar a cúpula do Partido Socialista. O primeiro secretário do PS, Jean-Christophe Cambadélis, descreveu-o como um "ministro de abertura". Leia-se, de direita. Palavras que levaram Manuel Valls a sair em defesa do titular da Economia: "É um ministro talentoso, útil no governo. Eu sou sempre pela abertura, nunca a favor de sermos fechados, do sectarismo."

Nas últimas semanas, o primeiro-ministro tem multiplicado as intervenções de última hora para segurar Macron - mesmo se o tom parece ser cada vez mais de irritação. Como quando sublinhou na rádio France Inter não querer "perder tempo com falsos debates". E acrescentou: "Os ministros devem considerar-se parte de um pacote, de uma equipa. Comentarem todos os assuntos não faz sentido."

Uma das socialistas que mais mal esconderam a irritação com Macron foi Martine Aubry. A presidente da Câmara de Lille, na origem da lei das 35 horas quando era ministra do Emprego e da Solidariedade, disse estar "farta!" do ministro da Economia no seu discurso da rentrée. E explicou: "É o ministro da Economia, tem de pôr toda a sua energia para acelerar o crescimento e o emprego."

Leia mais na edição impressa ou no epaper do DN

Ler mais