Machete diz desconhecer fraudes em Moçambique

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, afirmou hoje, em Milão, que as informações que lhe chegaram na quarta-feira sobre as eleições gerais em Moçambique não apontavam para quaisquer irregularidades graves que permitissem por em causa os resultados.

Questionado em Milão, onde se encontra para uma cimeira Ásia-Europa (ASEM), sobre a posição adotada hoje à tarde pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que reivindicou a vitória nas eleições gerais de 15 de outubro em Moçambique e disse não reconhecer os resultados eleitorais, devido a irregularidades várias no processo eleitoral, Rui Machete disse não ter conhecimento das alegadas fraudes.

"Ontem (quarta-feira), as informações que tive, dadas pela nossa embaixada, eram no sentido de que as eleições decorreram normalmente, que poderá ter havido, aqui e além, algum problema, e houve coisas menores, mas que não foi notado pelos observadores, tanto quanto se sabia na altura, que tenha havido, digamos, fraudes ou perturbações no processo eleitoral que permitissem por em causa os resultados, que ainda não sei quais são", afirmou.

Sobre a possibilidade de a contestação aos resultados das eleições poder precipitar um novo período de instabilidade política em Moçambique, Rui Machete disse que "não se espera que isso aconteça" e lembrou que "havia um certo otimismo que, quaisquer que fossem os resultados, os três principais partidos intervenientes nas eleições acatassem" os mesmos.

O porta-voz da Renamo, António Muchanga, afirmou hoje que, "pelos dados recolhidos no terreno", o partido pode "afirmar categoricamente" que venceu as eleições, e denunciou várias alegadas fraude e irregularidades durante o processo eleitoral.

"Por isso, não aceitamos os resultados destas eleições. Não pode haver uma democracia para África e outra para a Europa", declarou o porta-voz do maior partido de oposição, no dia em que começaram a ser divulgados os primeiros resultados oficiais da votação, que colocam o candidato presidencial da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), Filipe Nyusi, na liderança da contagem, com 60,69%, quando estavam apuradas apenas 8,55% das mesas de voto.

Mais de dez milhões de moçambicanos foram chamados na quarta-feira para escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais.

No escrutínio concorreram três candidatos presidenciais e 30 coligações e partidos políticos.