Macedónia tenta travar com violência onda de ilegais vindos da Grécia

Atenas está a usar um ferry para levar milhares de imigrantes das ilhas para o continente. Bulgária tem tropas preparadas para reforçar a segurança da sua fronteira com a Grécia

No início de agosto, Alexis Tsipras afirmou que os barcos de imigrantes que chegam todos os dias à costa da Grécia desencadearam uma "crise humana dentro da crise económica". Motivo que levou o primeiro-ministro grego a pedir ajuda à União Europeia pois "o fluxo de imigração está para além do que as infraestruturas do nosso Estado podem aguentar". Segundo a Frontex, o número de imigrantes ilegais que chegaram às fronteiras da UE em julho triplicou em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo os 107 500. Cerca de 50 mil escolheram a Grécia como porta de entrada para outras nações europeias.

A Antiga República Jugoslava da Macedónia (FYROM) é um dos países que faz fronteira com a Grécia, tornando-se assim um ponto de passagem para um número cada vez maior de ilegais. Ontem, a polícia macedónia disparou gás lacrimogéneo, balas de borracha e usou tasers para afastar os imigrantes da sua fronteira com a Grécia, acabando por ferir dez pessoas, no meio de um cenário de caos.

Este episódio de violência surge um dia depois de a Macedónia ter decretado o estado de emergência na fronteira, de forma a tentar travar o fluxo diário de quase dois mil imigrantes - na sua maioria sírios, afegãos e iraquianos - que tentam ir para o norte da Europa. "Temos de proteger a fronteira e permitir a entrada apenas a um número de imigrantes aos quais podemos oferecer um tratamento adequado e humano", justificou Ivo Kotevski, porta-voz do Ministério do Interior macedónio. Horas mais tarde, o governo anunciou que iriam permitir a entrada de um número limitado de imigrantes "de categorias vulneráveis", não especificando o teor destas categorias.

Mais de três mil imigrantes estão retidos nas proximidades da cidade grega de Eidomeni, depois de a Macedónia ter declarado o estado de emergência e enviado tropas para ajudar a conter o fluxo migratório dos que tentam atravessar a fronteira para o lado macedónio.

Leia mais na edição impressa ou no epaper do DN.

Exclusivos