Macau destrói 287 toneladas de mobílias recolhidas durante o Ano Novo Lunar

Na época do Ano Novo chinês, as famílias realizam limpezas profundas e desfazem-se dos objetos de que já não precisam.

A Companhia de Sistemas de Resíduos de Macau destruiu as 287 toneladas de mobílias recolhidas durante os feriados do Ano Novo chinês, uma opção criticada pela Cáritas, que defende que o mobiliário deve ser distribuído por famílias desfavorecidas.

As mobílias foram recolhidas entre 12 e 18 de fevereiro, através de 108 postos de recolha de lixo de grande dimensão colocados pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) em todos os bairros da cidade. Na época do Ano Novo chinês é habitual as famílias realizarem limpezas profundas à casa e desfazerem-se de objetos que já não precisam ou que consideram velhos.

"Como o IACM não recebeu, nos anos anteriores, qualquer pedido para recolha de mobílias antigas abandonadas por cidadãos, por parte de associações, todas as mobílias recolhidas foram transportadas diretamente para a Central de Incineração de Resíduos Sólidos de Macau", explicou o IACM, em esclarecimentos à agência Lusa.

A opção de destruir as mobílias é contestada pela Cáritas, que garante já ter proposto ao Governo que estes objetos fossem distribuídos entre as famílias desfavorecidas.

"Propus várias vezes ao Governo que fosse instituído um local para recolher estas mobílias e, depois, distribuí-las, com o apoio das organizações não-governamentais. Nós organizaríamos [o processo], de modo a que as pessoas pudessem ficar com as mobílias de graça ou por um preço simbólico", reagiu Paul Pun, secretário-geral da Cáritas.

"Nunca recebi resposta, acho que não é uma prioridade", lamentou.

Paul Pun explicou que a associação não tem espaço para receber as mobílias diretamente e, por isso, é essencial que tenha acesso a um armazém, onde os objetos possam ficar durante algum tempo. "Se ninguém levar as mobílias no espaço de um mês, então podem ser queimadas", disse.

Segundo a Cáritas, as mesas de pequena dimensão e as cadeiras dobráveis são as mais procuradas, já que "as famílias com baixos rendimentos não têm salas grandes".

"Seria de facto muito bom se o Governo criasse um espaço para pôr a mobília porque assim conseguíamos dá-la às pessoas" necessitadas, concluiu.