Lobo Antunes entre os 10 signatários do manifesto "Deixem os catalães votar"

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu e o pacifista argentino Adolfo Pérez Esquivel são dois dos nomes que assinam o texto.

O escritor português António Lobo Antunes e os Nobel da Paz Desmond Tutu e Adolfo Pérez Esquivel estão entre as dez personalidades internacionais que assinaram um manifesto a favor do direito a decidir dos catalães hoje divulgado.

O texto, divulgado pela plataforma soberanista "Ara es l'hora" (Agora é a hora, em catalão), foi impulsionado por um grupo coordenado por Eduard Vallory, presidente do Centro Unesco da Catalunha.

Clique aqui para aceder ao manifesto on-line:

Além de Lobo Antunes, do arcebispo sul-africano Desmond Tutu e do pacifista argentino Esquivel, assinam o texto figuras como o cineasta Ken Loach, o hispanista Paul Preston e Saskia Sassen, catedrática da Columbia University.

O sociólogo norte-americano Richard Sennett, o crítico literário Harold Bloom, o produtor e ativista irlandês Bill Shipsey e o diplomata dos Estados Unidos Ambler Moss estão, também, entre os signatários.

Divulgado uma semana antes da consulta popular alternativa promovida pelo governo autónomo catalão para aferir as pretensões independentistas dos catalães, marcada para o próximo domingo, o texto considera que "uma maioria de catalães expressaram repetidamente e de várias formas o seu desejo de exercer o direito democrático de votar sobre o seu futuro".

Considera, ainda, que esta "firme vontade de votar é resultado de um longo desacordo entre os Governos da Catalunha e Espanha sobre o grau de autonomia cultural, política e financeiro de que deveriam gozar os catalães".

O texto foi divulgado um dia depois de o Governo espanhol ter anunciado que vai recorrer ao Tribunal Constitucional para impugnar a consulta de dia 9, depois de esta instância jurídica espanhola já ter suspendido o referendo que o governo catalão de Artur Mas tinha convocado para esse mesmo dia. Mais uma vez depois de o Governo de Mariano Rajoy ter recorrido para o Constitucional, por considerar que um referendo sobre a independência da Catalunha viola a lei e a Constituição espanhola.

"Impedir que os catalães possam votar contradiz os princípios que inspiram as sociedades democráticas", refere o manifesto. "Por isso, fazemos um apelo ao Governo espanhol e às suas instituições, bem como aos seus homólogos catalães para que trabalhem juntos para permitir que os cidadãos da Catalunha possam votar sobre o seu futuro político e, posteriormente, estabelecer negociações de boa-fé baseadas nos resultados", acrescenta o documento.

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